O PCP questionou esta quarta-feira o ministro da Segurança Social sobre trabalhadores em situação de doença ou incapacidade abrangidos pela primeira fase da requalificação, tendo recebido duas denúncias de pessoas nessa situação.

Na pergunta dirigida ao Ministério de Luís Pedro Mota Soares, o PCP quer saber qual o número total de trabalhadores nessa situação, e exige uma justificação ao Governo, questionando o executivo sobre as medidas previstas para a requalificação destas pessoas.

«Com que perspetiva encara o Governo a possibilidade destes trabalhadores enfrentarem a doença que os atinge e alcançarem a sua recuperação estando ao mesmo tempo envolvidos no processo de requalificação?», questiona ainda o PCP.

O líder parlamentar comunista, João Oliveira, disse aos jornalistas que este caso, «além de revelar uma contradição entre as palavras e a prática do Governo, mais grave que isso, revela um profundo desprezo do Governo pelas dificuldades que atingem os trabalhadores».

«Em causa estão dois trabalhadores, um com uma doença oncológica grave, que determina uma incapacidade de 80%, outro com esclerose múltipla, com uma incapacidade de 60%», afirmou.

De acordo com João Oliveira, estes trabalhadores «nem por se encontrarem nestas situações escaparam à fúria do Governo, de despedimento, ao contrário do que tinha sido afirmado pelo ministro e pela diretora do Instituto de Segurança Social há umas semanas atrás na Assembleia da República».

A pergunta é enviada para o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social na véspera de o parlamento discutir projetos de lei do PCP, PS e BE para a revogação do regime de mobilidade especial e requalificação dos trabalhadores em funções públicas.