O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, acusou esta quarta-feira a coligação governativa de «partidarizar tudo» e de falta de «sentido de Estado», a propósito do diploma que aumenta o horário de trabalho no Estado.

«Esse é o grande erro do PSD e do CDS-PP, é estarem sempre a partidarizar tudo e considerarem que uma medida que penaliza centenas de milhares de portugueses é uma vitória», criticou.

Segundo o líder parlamentar do PS, «quem avalia questões tão importantes para a vida de Portugal e dos portugueses com essa lógica de quem perde ou quem ganha, no ponto de vista partidário, não tem sentido de Estado».

Carlos Zorrinho comentava, em declarações aos jornalistas, em Évora, as afirmações feitas hoje pelo líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, sobre a intenção de o PS pedir a fiscalização ao Tribunal Constitucional (TC) do diploma que aumenta o horário de trabalho no Estado.

O dirigente social-democrata disse que um eventual pedido de fiscalização deste diploma ao TC, por parte do PS, revela «mau perder» do maior partido da oposição.

À margem da sessão de abertura da Universidade de Verão do PS, em Évora, Carlos Zorrinho contrapôs que o pedido de fiscalização revela sim «uma intensa preocupação com o bem-estar dos portugueses, com o desenvolvimento do país e com a aplicação da lei fundamental» do país, a Constituição.

«Nós não vemos a política com uma lógica de ganho ou perca partidária», frisou.

O dirigente socialista disse também que esta lei que aumenta o horário de trabalho no Estado «faz com que muitos portugueses percam».

«E o facto de muitos portugueses perderem, é por isso que nós estamos ao lado deles para tentar inverter esta lei e tentar fazer com que sejam todos os portugueses a ganhar», argumentou.

Cavaco Silva promulgou na quinta-feira o diploma que estipula o aumento do horário de trabalho no Estado de 35 para 40 horas semanais, de acordo com informação hoje disponibilizada na página do Parlamento na Internet.

O líder do grupo parlamentar do PS já hoje havia afirmado à agência Lusa que «o PS respeita a decisão do Presidente da República, mas discorda profundamente do facto de a lei não ter sido enviada para fiscalização preventiva do TC», pelo que irá suscitar a sua apreciação pelos juízes do Palácio Raton.

Em Évora, Zorrinho foi ainda questionado pelos jornalistas sobre o programa de rescisões amigáveis, que arranca em setembro, tendo explicado que o PS vai estar «muito atento» ao processo.

«Por princípio, não somos contra as rescisões amigáveis mas vamos estar muito atentos ao processo, à forma e denunciaremos sempre que houver pressões», num registo da Lusa.

A Universidade de Verão do PS, com cerca de 120 alunos, decorre até sábado, dia em que é encerrada pelo secretário-geral do partido, António José Seguro.