A eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, defendeu este domingo a necessidade de criar uma frente comum para a democratização da Europa, que acabe com a austeridade e promova a flexibilização de políticas entre os Estados-Membros.

“É preciso juntar diferentes forças e diferentes partidos para tentar alargar esta frente, mas é preciso alargar e buscar mais força para tentar acabar com este dogma da austeridade à escala europeia e também democratizar os espaços de decisão”, disse a eurodeputada à agência Lusa, a partir de Atenas, na Grécia.

Marisa Matias, que é também vice-presidente do Partido da Esquerda Europeia (PEE), e que participou este domingo em Atenas numa conferência internacional intitulada "Construir Alianças para Combater a Austeridade e Reivindicar a Democracia na Europa", esclareceu que a estratégia desta frente prevê “uma lógica de inclusão, que passa também por outros movimentos que estão a sair do espetro da esquerda europeia, e tentar encontrar pontos em comum”.

Uma outra dimensão “passa por reconhecer que é necessário haver uma mudança do ponto de vista das políticas ao nível nacional, porque só teremos uma verdadeira democracia à escala europeia quando conseguirmos reforçar os espaços democráticos ao nível nacional”, assinalou.

“Estamos sistematicamente a dispensar o nosso espaço de soberania sem termos nenhuma capacidade de decisão e de controlo sobre aquilo que são decisões das instituições europeias com uma correlação de forças ainda muito desigual”, considerou Marisa Matias.

No entender da eurodeputada, que foi candidata à Presidência da República nas eleições de janeiro, é necessário acabar com “a regra europeia”.

A existir, essa regra terá de passar pela “arbitrariedade”, permitindo a aplicação de “critérios distintos para cada um dos países consoante a vontade de cada país em aplicar as reformas estruturais”, de modo a combater “o ataque aos direitos laborais, às privatizações e à destruição do Estado social”, advogou.

Maria Matias salientou ainda que a agenda europeia é, neste momento, “puramente ideológica e não tem nada a ver com os resultados práticos na economia das medidas adotadas”.

“É preciso fazer um caminho para romper este ciclo que é ideológico em que a única regra que vigora é a da arbitrariedade e em que para cada país há um critério diferente”, insistiu.

Organizada pelo Partido da Esquerda Europeia (PEE), Syriza, Instituto Nicos Poulantzas e a transform! Europe, a conferência teve como objetivo analisar os principais problemas que a União Europeia e os seus Estados-membros enfrentem atualmente e contribuir para estabelecer alianças políticas e sociais para responder a esses mesmos problemas em defesa dos povos europeus e da democracia.