O fundador do CDS Freitas do Amaral, subscritor do «Manifesto dos 70», sublinhou esta sexta-feira que o documento defende «a reestruturação e não o repúdio da dívida».

«Se nós defendêssemos que o país não deveria pagar a sua dívida então era errado propor a reestruturação. A palavra para quem não quer pagar é o repúdio da dívida e nunca nenhum de nós pensou ou propôs o repúdio da dívida», salientou o também ex-candidato presidencial e ministro dos Negócios Estrangeiros num governo PS.

Freitas do Amaral falava, na Covilhã, à margem de uma conferência que proferiu sobre as «Funções Visíveis e Invisíveis da ONU», uma iniciativa organizada pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade da Beira Interior.

Em declarações aos jornalistas, o ex-ministro reafirmou que defende a reestruturação da dívida, mas alertou que «é preciso saber exatamente o que é que as palavras significam».

«Renegociação, que é o que colhe mais apoios, não significa nada. Renegociar é negociar para introduzir algumas alterações, mas quais? Não se sabe. Já reestruturar sabe-se o que é: é manter o montante da dívida tal e qual ele está, não deixar de pagar nada, mas negociar com os nossos credores para termos mais tempo e durante esse tempo pagarmos menos juros», esclareceu.

Freitas do Amaral afirmou que «o grande problema de Portugal não é a dívida" e sim "o serviço da dívida», ou seja os juros.

«Nós estamos a pagar dez mil milhões de euros por ano em juros. São dez mil milhões que nós não podemos utilizar nem em estradas, nem em escolas, nem em hospitais, nem em nada», lamentou.

O subscritor do «Manifesto dos 70» reiterou que essa situação «suga a reforma orçamental de cada ano», o que impede essas e outras obras, que classificou como «necessárias» e «urgentes».

Freitas do Amaral assumiu ainda que não entende as «reações brutais» que houve.

«As reações brutais que houve foram ao facto de se propor que um assunto seja debatido? Mas isso é o normal em democracia. Os assuntos quanto mais difíceis são mais debatidos devem ser», considerou.

Em relação aos receios do que o documento poderia provocar a nível externo, afirmou: «Lá fora sabem há muito mais tempo do que nós cá dentro que o grande problema de Portugal é a dívida pública».

Freitas do Amaral também criticou algumas das opções do Governo, que disse serem «inacreditáveis de más» e deu como exemplos os cortes nas reformas e pensões e o sorteio dos automóveis.

«A um país que se acusou, durante muitos anos, de viver acima das suas possibilidades vai-se oferecer todas as semanas um carro de luxo. É isso viver dentro das nossas possibilidades? Sinceramente acho que é uma coisa absolutamente inacreditável», apontou.