O ex-ministro Freitas do Amaral considerou que Portugal tem que «começar já a trabalhar» na proposta a apresentar para o período pós-troika, mas disse não ter «esperança» que o atual Governo tenha capacidade para o fazer.

Esta tarde, à margem da sessão comemorativa dos 20 anos da Escola de Direito da Universidade do Minho, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou «presumir» que será «necessário» e «talvez conveniente» um programa cautelar depois do programa de ajustamento em curso, embora tenha reconhecido existirem «sinais positivos», mas que «não devem ser exagerados».

O cofundador do CDS criticou ainda a «intransigência cega» da política alemã alertando que a Alemanha «tem que abrir os olhos» e deixar de encarar a Europa como um «território em que reina sozinha».

Segundo Freitas do Amaral, é preciso «começar já a trabalhar na elaboração» da proposta a fazer à Europa para o período pós-troika. «Se Portugal tomasse essa atitude ganhava imensos pontos de vantagem e estratégia negocial. Ganhava força negocial. Se ficarmos à espera do que é que os fortes vão impor aos fracos, perdemos», alertou.

Questionado se o atual Governo era capaz de o fazer, o ex-ministro não se declarou convencido. «Bem, eu não tenho muita esperança, mas acredito em milagres», revelou.

Ainda sobre o período pós-troika, Freitas do Amaral afirmou que será um «momento difícil» e que é preciso manter «calma, serenidade» e ver qual o melhor «caminho» para Portugal.

«Eu gostaria que nos pudéssemos ver livres da troika e também não ter programa cautelar mas presumo que o programa cautelar vai ser necessário e talvez seja conveniente», disse.