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Freeport: juiz rejeita prescrição

Há quatro crimes em investigação no processo

Por: tvi24 / Carlos Enes  |  17- 4- 2009  21: 8

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Freeport

O Juiz Carlos Alexandre, em despacho datado de 6 de Março, declara que há quatro crimes em investigação no processo Freeport: corrupção passiva e activa para acto ilícito, tráfico de influências, participação económica em negócio e branqueamento de capitais.

Os primeiros três crimes, a serem provados em tribunal, podem dar penas de prisão até 5 anos, o que quer dizer que o processo só poderá prescrever em 2012, dez anos depois dos factos sob investigação. No caso de ser provado o branqueamento de capitais, a pena de prisão pode ir até 12 anos, o que quer dizer que o processo só poderá ser declarado extinto, por prescrição, em 2017, quinze anos depois do crime.

Com este despacho, o juiz do processo qualifica da forma mais grave possível a corrupção e o tráfico de influências que possam ter levado ao licenciamento do maior outlet da Europa em plena zona protegida do estuário do Tejo. Esses crimes, a serem comprovados, estiveram ainda na origem de actos ilícitos da administração pública. Os ministros, autarcas ou funcionários públicos que se tenham deixado corromper violaram também os poderes que a lei lhes confere ao aprovar o empreendimento.

Mesmo que a corrupção fosse para acto lícito, hipótese afastada por Carlos Alexandre, sobrava ainda o crime de participação económica em negócio, previsto na lei para punir o ministro, autarca ou funcionário público que, «com intenção de obter vantagem económica ilícita para si ou para terceiro» - como, por exemplo, o financiamento de um partido político - lesar os interesses do Estado que lhe cumpre defender. Só este crime dá cinco anos de prisão e por isso só prescreve em 2012.

Pressão

A teoria da prescrição do Freeport cai assim por terra. Recorde-se que os procuradores Vítor Magalhães e Paes Faria, que investigam o processo, denunciaram uma pressão nesse sentido exercida por Lopes da Mota, ex-colega de Governo de José Sócrates e actual presidente do Eurojust, organismo encarregado, no caso Freeport, de fazer a cooperação com a polícia inglesa. Lopes da Mota já negou ter exercido essa pressão, mas, em entrevista ao «Diário de Notícias», confessou ter dito aos magistrados que «o primeiro-ministro quer o assunto resolvido rapidamente».

Sucede que essa pressa não tem fundamento jurídico. Os magistrados do Ministério Público Vítor Magalhães e Paes Faria têm, no mínimo, mais três anos para constituir José Sócrates arguido, caso o considerem, como considerou a polícia inglesa, «suspeito da prática de actos corruptos».
A prescrição é que não será nunca o caminho para livrar o primeiro-ministro, rapidamente, deste processo.

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