A ministra da Justiça disse no parlamento, a propósito da interrupção do velório por causa das autópsias a duas das vítimas de “legionella”, que “são coisas imprevisíveis” e que não obedecem a manuais de instruções.

Francisca Van Dunem respondia ao deputado social-democrata Fernando Negrão sobre a interrupção pela PSP dos velórios de duas vítimas, cujos corpos foi necessário autopsiar pelo Instituto Nacional de Medicina Legal depois do surto de ‘legionella’ no Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa.

“São situações que acontecem, totalmente imprevisíveis e que não são consentâneas com a existência de manuais de instruções. Se, se… os manuais de instruções não funcionam. A vida não é assim”, afirmou Van Dunem.

A ministra ressalvou, contudo, que “pese embora a circunstância de até no contexto concreto ter tido intervenção no sentido de perceber o que se passava e de ver que medidas estavam a ser tomadas para as famílias serem informadas em conformidade”.

O número de mortos provocado pelo surto de ‘legionella’ em Lisboa subiu para quatro, uma mulher de 94 anos, e o número de casos de infetados aumentou para 44, segundo a Direção-geral da Saúde.

Dos 44 casos confirmados até ao momento, a maioria (59%) atingiu mulheres e 70% aconteceu em pessoas com 70 ou mais anos.

A ‘legionella’ é uma bactéria responsável pela doença dos legionários, uma forma de pneumonia grave que se inicia habitualmente com tosse seca, febre, arrepios, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade respiratória, podendo também surgir dor abdominal e diarreia. A incubação da doença tem um período de cinco a seis dias depois da infeção, podendo ir até 10 dias.

A infeção pode ser contraída por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada. Apesar de grave, a infeção tem tratamento efetivo.