O líder do Bloco Esquerda (BE), Francisco Louçã, criticou esta quinta-feira o Governo socialista por em quatro anos de governação existir «mais desemprego, mais dificuldades para jovens licenciados e menos subsídios de desemprego», escreve a Lusa.

«Há menos respeito na sociedade portuguesa e este é o resumo de quatro anos de uma política falhada para os que estão em baixo», disse Francisco Louçã.

Falando aos jornalistas junto ao Centro de Emprego de Sintra, onde encontrou dezenas de pessoas à porta, o líder do BE sublinhou que «toda a facilidade para quem está em cima e toda a dificuldade para quem está em baixo» é o retrato da governação socialista dos últimos quatro anos.

«É uma política de sucesso para todos os Manuel Finos que perdem dinheiro na especulação mas acham que têm direito a pedir, e conseguem, 62 milhões de prémio da parte do Governo», disse o líder do BE, numa alusão à compra de cerca de dez por cento da Cimpor pela Caixa Geral de Depósitos ao empresário.

«Sócrates teve tudo para fazer o que queria»

Segundo Francisco Louçã «José Sócrates teve tudo para fazer tudo o que queria». «Teve a maioria absoluta, o apoio do Presidente e até um tempo de governo maior que um tempo normal. O resultado agora pode resumir-se nisto: os quatro principais bancos ganharam o ano passado 4 milhões de euros de lucro por dia, a EDP mil milhões e a GALP 500 milhões», referiu, acrescentando que, quatro anos depois, «há tantas pessoas com uma pensão miserável como havia no principio» do mandato.

Louçã criticou as filas às portas dos centros de emprego, como hoje em Sintra, que, garantiu, só acontecem porque «não há empregos».

«Ao Governo interessa os números»

«O aumento das filas só quer dizer que há muito mais desempregados e desempregadas. Os centros de emprego, com muitas dificuldades vão atendendo as pessoas, o que não há é empregos», disse.

«Disseram-me aqui que às vezes há filas, que começam às seis da manhã, de pessoas que vêm bater à porta do centro de emprego, que não lhes dá nenhuma oportunidade porque não consegue. Há 15 mil desempregados no concelho de Sintra, meio milhão no país inteiro, e isto é o retrato deste país e das dificuldades imensas de quem sabe que se tiver emprego vai ser um trabalho temporário no qual a empresa vai ficar com metade do seu salário», disse.

Segundo o líder do bloco a permissividade quanto «aos trabalhos precários» é a «prova de que ao Governo interessa os números e não as pessoas e interessa a facilidade e não o respeito».