O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, afirmou, esta segunda-feira, que transmitiu ao primeiro-ministro, José Sócrates, «os cumprimentos» daqueles que participaram, sexta-feira, na manifestação convocada pela CGTP-IN contra o Governo.

As palavras de Francisco Louçã foram proferidas depois da reunião com o primeiro-ministro, em São Bento, num encontro sobre a agenda da próxima cimeira europeia, que durou cerca de 90 minutos.

Sábado, em Cabo Verde, o primeiro-ministro acusou o PCP e o Bloco de Esquerda de instrumentalizarem as manifestações da CGTP-IN e queixou-se de ter sido insultado pelos manifestantes.

«Transmiti ao senhor primeiro-ministro os cumprimentos de muitos dos manifestantes da passada sexta-feira, que por causa da crise, do desemprego, da precariedade e do desespero protestaram, e eu dou-lhes razão», disse Francisco Louçã.

O coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda acusou depois o Governo português e a União Europeia de demonstrarem «incapacidade para responder ao mais elementar dos princípios da solidariedade e da justiça social».

Segundo Louçã, tanto o Governo português, como a União Europeia, não têm respostas para «o desemprego, as deslocalizações, para o combate às falências fraudulentas, ao crime económico e financeiro».

«Esperava que a União Europeia se levantasse para fazer face a estes problemas, mas até hoje não se tomaram as medidas essenciais para uma resposta política fundamental», considerou.

Francisco Louçã manifestou-se apreensivo com a actual situação da Qimonda, em Vila do Conde, que pode fechar as portas dentro de algumas semanas, deixando no desemprego cerca de dois mil trabalhadores, alguns deles muito qualificados.