O ex-coordenador do BE Francisco Louçã defendeu hoje, em Luanda (Angola), "acordos políticos sólidos" e não apenas o entendimento entre partidos para garantir um Governo de esquerda e com um "programa de soluções" para Portugal.

O antigo político e académico disse que o tempo "não é de facilidades", tendo em conta que Portugal está em situação de "emergência", tendo argumentado que existem condições para a esquerda formar um Governo, entre PS, BE e CDU, face aos resultados eleitorais.
 

"Acho que são precisos acordos políticos sólidos, não porque os partidos se entendem, mas porque resolvem problemas. E se resolvem problemas, então resolvem problemas. Mas se só se entenderem então não é garantia suficiente", alertou.


Francisco Louçã está em Luanda para ministrar aulas, esta semana, numa universidade angolana privada, e à margem dessa participação insistiu, em declarações à agência Lusa, na necessidade das conversações em curso entre os partidos da esquerda para a formação de Governo permitirem construir uma casa "com fundações" e não com "vidros no telhado".
 

"O que é preciso é que haja um programa de soluções, corajoso. É preciso pensar fora dos dogmas tradicionais, fora da rotina (…). Quanto à composição do Governo, resultará da solidez destes acordos, se for possível obtê-los, e espero que haja uma maioria para combater a austeridade", enfatizou o ex-dirigente bloquista.


Louçã sublinhou que o tempo ainda não é de falar da composição de um eventual Governo de esquerda, com integrantes do Bloco, mas ainda assim elogiou a atual líder bloquista.

"Catarina Martins terá um papel político fundamental. Tem demonstrado uma inteligência e uma grande preparação. É raríssimo encontrar na política portuguesa pessoas que trabalhem, que saibam o que dizem, que tenham consciência e convicção das suas propostas. E portanto que prossigam o mandato que o povo lhes dá e que não o troquem em jogos políticos", sublinhou.

"Sobre a formação do Governo logo veremos, agora sei que ela como o Bloco de Esquerda são uma garantia para defender as pensões, para defender os salários e uma política de investimento", disse ainda Louçã.