O deputado do PSD-Madeira Francisco Gomes afirmou hoje ser necessário uma mudança de pessoas, da forma como se faz política e um projeto de salvação nacional que não seja apenas para «salvar o Governo e o primeiro-ministro».

«Temos de mudar de gente e temos de mudar como se faz política em Portugal», disse o parlamentar madeirense numa intervenção política no plenário da Assembleia Legislativa da Região.

«Precisamos de gente séria, capaz de mobilizar as pessoas para um verdadeiro projeto de salvação nacional, que não pode ser confundido com um projeto para salvar um governo ou um primeiro-ministro. O primeiro merece tudo e o segundo não merece nada», sublinhou.

O deputado social-democrata insular sustentou que «o discurso positivo do Governo da República não espelha o drama terrível que aconteceu nestes últimos anos que representaram um retrocesso de 25 anos com consequências dramáticas».

«Não basta dizer que cumprimos ou estamos em vias de cumprir o que nos foi imposto por vontade e desígnio estrangeiro», sublinhou Francisco Gomes, considerando que «agora que se aproxima a saída da "troika" anda a República feliz e inebriada».

O deputado disse ainda que «julgando-se predestinados, Passos Coelho e Paulo Portas mostram-se cada vez mais convencidos de que nasceram para redimir os portugueses».

O parlamentar madeirense acrescentou que «interessa pensar o pós-troika, que é muito mais do que pensar como se vai Portugal financiar depois de maio, no que vai ficar depois desta fase de ajustamento, que continuará, com a perpetuação da austeridade durante mais 15 ou 20 anos».

Na sua opinião, «vai ser um país mais pobre, de descontentamento generalizado», defendendo ser necessário «reconstruir pontes entre os cidadãos e o Estado, para recuperar a confiança das pessoas na República».

Francisco Gomes apontou que os madeirenses «têm de lutar por uma maior autonomia» e vincou que «mais do que uma simples reforma de Estado, Portugal precisa de um novo contrato de sociedade».

No início dos trabalhos parlamentares, os deputados madeirenses aprovaram por unanimidade dois votos de pesar pelo falecimento do dirigente do Clube Desportivo Portossantense, o comendador José Lino Pestana a 07 de fevereiro.