O eurodeputado socialista Francisco Assis defendeu hoje que ignorar todas as divergências que separam o PS do PCP e BE para afastar a direita do Governo configura uma “despudorada expressão de ambição desmedida pelo exercício do poder”.

Num artigo de opinião publicado no jornal Público, Assis reiterou que é “frontal e absolutamente contra a ideia de constituição de um qualquer governo assente numa hipotética maioria de esquerda”.

O ex-líder parlamentar socialista destacou que essa maioria seria “meramente” hipotética por não haver, entre o PS, PCP e PS qualquer “solidez doutrinária ou política” e questionou o que aproxima aqueles partidos em matérias como organização política e económica, questões europeias e política externa.

“Apesar disso, insistirão os mais fanáticos defensores de uma frente de esquerda que há vantagens em ignorar todas as divergências, por mais profundas que sejam, em nome da possibilidade do afastamento da direita do poder”, observou.
 

Para Assis, essa opção configuraria “uma despudorada expressão de ambição desmedida pelo exercício do poder” para além de “nada de novo e verdadeiramente relevante” trazer ao país.


Francisco Assis sustentou que o PS devia assumir em toda a plenitude o estatuto de principal partido da oposição, limitando a ação governativa e convergindo quando possível à esquerda.

Esta solução seria, na opinião de Assis, a única que “alteraria drasticamente a situação política do país”, a que “melhor serve o interesse nacional” e aquela que “verdadeiramente se inscreve na história do Partido Socialista”.
 

Se o PS fizer um acordo à esquerda com vista a formar Governo “renuncia à sua dimensão de partido transformador e reformista”, considerou.


O ex-líder parlamentar socialista ressalvou no entanto que qualquer Governo, “tenha ele a composição que tiver, assente numa maioria parlamentar, beneficia de uma inatacável legitimidade de ordem formal”.

O secretário-geral do PS, António Costa, reúne hoje a Comissão Política Nacional para analisar o processo de diálogo com as diferentes forças políticas.

Na terça-feira, após ter sido recebido pelo Presidente da República, no Palácio de Belém, o líder socialista considerou estarem criadas condições para que o PS possa formar um Governo com apoio maioritário na Assembleia da República e que assegure condições de estabilidade, posições reiteradas em seguida pela porta-voz do BE, Catarina Martins, e na quarta-feira pelo secretário-geral do PCP.