O dirigente socialista Francisco Assis afirmou esta quinta-feira que, apesar dos custos de realizar eleições antecipadas, essa solução é mais saudável, porque a atual maioria governamental já não inspira aos portugueses o mais leve respeito.

Esta posição foi assumida por Francisco Assis, membro da direção dos socialistas, à entrada para a reunião da Comissão Política do PS, depois de interrogado sobre se a realização de eleições antecipadas não poderá conduzir Portugal a um segundo resgate.

«Apesar das consequências negativas associadas a uma solução de eleições legislativas antecipadas - consequências que o PS não ignora -, essa solução é mais saudável de todos os pontos de vista. Esta maioria PSD/CDS está completamente desacreditada e incapacitada para promover qualquer reforma séria. Ponderando as vantagens e inconvenientes da realização de eleições antecipadas, acredito que esta é a melhor solução, apesar dos custos», sustentou o ex-líder parlamentar dos socialistas.

Francisco Assis reforçou que os maiores custos poderão resultar da manutenção em funções de um Governo «sem capacidade de mobilização, sem projeto, sem identidade e com um primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] desacreditado».

«Nestes últimos dias, o Governo tem estado envolvido em episódios de verdadeira comédia política», acusou.

Nas declarações que fez aos jornalistas, Assis reconheceu também que mudou de opinião e, ao contrário de há um ano e meio atrás, já não defende a possibilidade de Portugal ter um executivo de iniciativa presidencial.

«A evolução dos acontecimentos foi feita em outro sentido e nas atuais circunstâncias não é possível o recurso a um Governo de iniciativa presidencial. A melhor solução passa por eleições antecipadas, procurando minorar os seus custos», insistiu o membro do Secretariado Nacional do PS.

Francisco Assis sustentou ainda que «Portugal já não tem Governo» e está «perante uma paródia de Governo».

«Qualquer solução que se procure no quadro desta maioria já não suscita o mais leve respeito do país, numa altura em que Portugal precisa de ter um Governo forte, capaz de mobilizar os cidadãos. O PS tem consciência que o país precisa de reformas difíceis, há decisões impopulares a tomar e este Governo já não está minimamente em condições de o fazer», acrescentou.

No mesmo sentido, o ex-ministro Jorge Lacão disse encarar os mais recentes episódios em torno do Governo PSD/CDS «com elevada apreensão».

«O país não merecia isto, mas o que nasce torto tarde ou nunca se endireita», declarou o membro do Secretariado Nacional do PS, numa alusão ao executivo de Pedro Passos Coelho.

Jorge Lacão acusou depois o PSD e CDS de «terem criado esta verdadeira situação de descalabro político, revelando uma incapacidade de se entenderem entre si».