O cabeça de lista do PS às eleições europeias, Francisco Assis, defendeu este domingo uma política europeia de investimento aliado ao rigor das finanças públicas, dizendo que os socialistas não recebem «lições» da direita nessa matéria.

«O PS não recebe lições da direita nesse domínio [rigor das finanças públicas]. Nós por três vezes, pelo menos por três vezes, estivemos no governo a resolver problemas sérios de desequilíbrio orçamental que herdámos de situações anteriores e por duas vezes essa herança foi legada por governos irresponsáveis da direita. E nessas alturas nem sequer havia crises internacionais que ser usadas como alibi», declarou Francisco Assis esta noite.

O candidato ao Parlamento Europeu falava num comício tido num jardim em Vila Real perante algumas centenas de militantes e apoiantes do PS.

O PS, sublinhou, «é um partido responsável», e por isso apoiou o tratado orçamental em torno dos limites do défice e da dívida e reconhece «que é necessário um compromisso em termos de políticas orçamentais entre parceiros que coabitam numa mesma zona monetária».

Na sua intervenção desta noite Francisco Assis insistiu na ideia de que é necessária uma ação global que «induza mudanças políticas significativas em toda a Europa».

«A Europa precisa de uma coisa muito simples: precisa de uma reorientação das suas prioridades políticas e sobretudo na área da política económica. E nós temos propostas muito claras nesse sentido», advogou o socialista, reclamando também a importância da eleição de Martin Schulz para presidente da Comissão Europeia.

Assis abordou também o «caso francês», com a eleição de François Hollande, descrevendo-o como um exemplo de como «não é possível operar grandes mudanças» num só país sem uma maior rede de apoio.

«Hoje as coisas estão todas interligadas. As questões nacionais e as questões europeias estão de tal forma associadas que só começando por mudar a Europa é possível projetar mudanças verdadeiramente eficazes nos planos nacionais», defendeu o cabeça de lista do PS.

A Europa, sublinhou ainda, «é dirigida há demasiado tempo por maiorias conservadoras e liberais que têm imprimido o seu cunho à política europeia» com consequências «que são hoje conhecidas por todos».

Na reta final da sua intervenção em Vila Real Francisco Assis dirigiu-se ainda ao secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que criticou os socialistas por estes terem dito que não prometiam medidas agora para não ficarem com o ónus de as ter de cumprir.

Tal declaração do líder dos comunistas, diz Francisco Assis, representa um «ponto absurdo» na vida política portuguesa.

«A verdade é que o PCP também se destaca nestas eleições europeias por ter a mais demagógica das propostas», disse o candidato socialista, referindo-se à ideia da saída do euro por decisão unilateral do Governo de Portugal, o que significaria «uma tragédia para todo o país».