Francisco Assis, cabeça de lista socialista às eleições europeias, diz esperar que Paulo Rangel compareça aos debates, para que esta não seja «uma campanha de truques» e «pequenos incidentes», mas centrada em temas fundamentais, sejam nacionais ou europeus.

Francisco Assis falava à Lusa depois de ter assinado o manifesto do Partido Socialista Europeu, em frente aos Jerónimos, em Lisboa, juntando-se à caravana de jovens europeus que está a recolher esse compromisso junto dos cabeças de lista da área do PSE por toda a Europa.

«Espero que o doutor Paulo Rangel compareça a cada um desses debates, já aqui há dias tínhamos marcado um debate na Universidade Lusíada e o doutor Paulo Rangel anunciou poucos dias antes que não poderia ir. Lamentei, eu estive lá presente nesse dia. Espero que compareça, estou certo que o vai fazer, depois das declarações que fez, estou certo que não repetirá o comportamento e estará presente», afirmou.

O cabeça de lista da coligação «Aliança Portugal» (PSD/CDS-PP), Paulo Rangel, acusou no sábado Francisco Assis de faltar a debates ou fazer-se substituir à última hora, o que foi negado pelo candidato socialista.

Segundo o primeiro candidato do PS ao Parlamento Europeu, está já fechada a realização de «quatro ou cinco debates» com a sua presença e de Rangel.

«Será um bom momento de esclarecimento, para sabermos o que é que ele pensa verdadeiramente», disse.

«Espero que esta campanha não seja uma campanha de truques, de pequenos incidentes, de fait-divers gratuitos e contraproducentes e seja uma campanha centrada nos temas fundamentais», declarou, lamentando que não haja debates televisivos, mas desresponsabilizando as estações desse facto.

Assis quer «que não haja receio de debater tema nenhum, nem os temas europeus nem os temas nacionais nem o passado, nem presente, nem o futuro».

O candidato socialista acrescenta que, com uma vitória dos socialistas, haverá uma nova configuração do Parlamento Europeu e a eleição de Martin Schulz como presidente da Comissão, daria «um novo impulso à Europa».

«Isso levaria a uma mudança de prioridades, que eu considero fundamental. Em lugar de uma Europa excessivamente concentrada com a promoção de políticas de austeridade, que induzem e provocam a pobreza e induzem muita conflitualidade social, é preciso caminhar no sentido de políticas que promovam o crescimento», argumentou.

«É preciso reorientar a política europeia no sentido de favorecer a criação de emprego, a promoção do crescimento da economia, a superação das desigualdades que afetam e separam vários países europeus», sustentou.

Para Assis, é preciso «uma política monetária diferente», uma «política orçamental que não contrarie perspetivas de crescimento da economia, e é preciso encontrar soluções que estabilizem a dívida e permitam aos países do sul da Europa terem acesso a uma situação junto dos mercados financeiros que já caracteriza os países do norte da Europa».