O cabeça de lista do PS às europeias, Francisco Assis, acusou o PSD e CDS-PP de «propaganda ilimitada» na pré-campanha às eleições, reclamando uma mudança de políticas em Portugal e na Europa.

«Já vimos como a maioria parlamentar atual vai atuar: uma propaganda ilimitada», disse Francisco Assis na apresentação do manifesto eleitoral do PS às europeias, que foi esta quinta-feira à tarde apresentado na sede do partido, em Lisboa.

O socialista disse que uma das missões dos próximos dias de pré-campanha eleitoral e da campanha propriamente dita, que começa na segunda-feira, passa por lembrar aos portugueses «o que foi o discurso desta maioria [PSD-CDS-PP] poucos dias antes de se construir maioria» no parlamento e formar Governo, quando um «conjunto de promessas foram postas em causa logo no dia seguinte à eleição».

No manifesto hoje apresentado, o PS demonstra confiança numa «nova forma de estar na Europa» e reclama «emprego e crescimento» e uma voz «muito mais forte» de Portugal no seio da União Europeia (UE).

Num documento de 32 páginas, intitulado «Mudança» e com o subtítulo «Mudar Portugal, Mudar a Europa», os socialistas abordam o espaço europeu, mas não esquecem a situação de Portugal, que «merece outro futuro» que «só pode acontecer se o Governo da Europa e o Governo do país mudarem».

Para Francisco Assis, há algum «desalento» no país, mas há também «confiança e esperança» no futuro.

«O país está ávido de confiança e esperança. O país sabe que é mais forte do que esta crise e as políticas que em nome da crise foram aplicadas e tiveram apenas o efeito de acentuar essa mesma crise», advogou o socialista, que nas últimas semanas passou já por diferentes pontos no país e nas regiões autónomas de Portugal.

No dia 25 de maio, lembrou o cabeça de lista socialista, há a possibilidade de ser mudada a maioria parlamentar no hemiciclo europeu, e se os socialistas e democratas europeus passarem a ser a maior força política no Parlamento Europeu, tal será «um verdadeiro sobressalto democrático na vida europeia e induzirá grandes modificações» nas «prioridades políticas».

«Desde logo, muito provavelmente, teremos um novo presidente da Comissão Europeia, Martin Schulz. E só isso vai imprimir uma grande mudança na linguagem, perspetiva, definição de prioridades da política europeia», sublinhou Assis.

A prioridade deverá ser compatibilizar o «rigor na gestão das finanças públicas» com a criação de instrumentos que gerem crescimento da economia, promoção do emprego e recursos «imprescindíveis para a modernização da Europa».

«Vamos estar na Europa com exigência», declarou o candidato socialista.

Antes, o mandatário da campanha, António Vitorino, havia dito que a «ideia central» do sufrágio de maio passa por «reabilitar a ideia de Europa», projeto bem-sucedido de «paz, solidariedade e prosperidade» junto dos portugueses.

Na plateia estiveram presentes diversas figuras do partido, entre candidatos da lista a Bruxelas, deputados no parlamento e outros dirigentes socialistas.