O eurodeputado Francisco Assis (PS) questionou a Comissão Europeia sobre eventuais diligências para garantir cuidados médicos urgentes a Albano Bingobingo, ativista angolano detido em junho e em greve de fome há 13 dias.

Em comunicado, o gabinete do eurodeputado socialista indicou que o ativista, também conhecido como Albano Liberdade, não se consegue manter de pé e “não recebeu até ao momento qualquer assistência médica”.

“Antes pelo contrário, a 14 de outubro foi transferido do hospital-penitenciária de São Paulo de Luanda para a prisão da Comarca Central de Luanda, onde se encontra detido na caserna n.º 10-A, normalmente reservada a presos por crimes de violação e descrita por jornalistas como 'uma pocilga humana'”, lê-se.

A pergunta endereçada ao executivo de Bruxelas surge depois da forte mobilização em torno do caso do rapper luso-angolano Luaty Beirão, há 30 dias em greve de fome e transferido para a Clínica Girassol, uma instituição privada.

O “quase monopólio do caso de Luaty Beirão nos meios de comunicação social” pode manter “na sombra outros casos de greve de fome, em particular o de Albano Bingobingo, dadas as condições inumanas em que se encontra detido e a ausência de cuidados de saúde”, segundo o comunicado.

O mesmo texto refere que Bingobingo e outro ativista, Benedito Jeremias, foram espancados no passado dia 9 com bastões elétricos.

“Albano Bingobingo foi despido na cela por polícias que o torturaram e o arrastaram depois, nu, para o pátio. Testemunhas relatam que Albano Bingobingo está gravemente doente e que apresenta uma infeção severa numa perna”, acrescentou o comunicado, referindo que outro dos ativistas, Nelson Dibango, detido no Hospital Psiquiátrico de Luanda, entrou em greve de fome a 9 de outubro e foi transferido cerca de uma semana depois para o hospital-penitenciária de São Paulo.

Francisco Assis perguntou também à Comissão Europeia por que “meios pretende pugnar pelo integral respeito pela liberdade de expressão e reunião em Angola e pelo tratamento condigno dos presos”.

Esta quarta-feira, o governador provincial de Luanda, Graciano Domingos, alegou questões de segurança para proibir a realização de uma manifestação pacífica na capital angolana, a 11 e 12 de novembro, que pretendia exigir a demissão do Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

O Governo angolano está sob forte pressão internacional devido à prisão de 15 ativistas, desde 20 de junho, sob acusação de preparação de um golpe de Estado e um atentado contra o Presidente da República e que começam a ser julgados em Luanda a 16 de novembro.