O cabeça-de-lista do PS às eleições europeias, Francisco Assis, criticou hoje no Algarve o «tom triunfalista» do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, quando no domingo anunciou que Portugal iria ter uma saída do programa de resgate financeiro sem programa cautelar.

«Não foi nada que me surpreendesse, já sabíamos há muito tempo que era isso mesmo que ia acontecer. O que destaco é o tom triunfalista do primeiro-ministro, de todo em todo em discordância com a realidade da vida nacional», disse à agência Lusa Francisco Assis, que hoje visitou o mercado de Olhão numa ação de pré-campanha para as eleições europeias de 25 de maio.

O candidato socialista contrapôs que «a verdade é que o país hoje está pior do que estava há três anos», tem «uma parte significativa do tecido económico destruída, gravíssimos problemas sociais» e tudo isso foi feito «à custa de um aumento brutal da receita fiscal e de uma redução brutal dos rendimentos de setores específicos da sociedade portuguesa».

«Não houve nenhuma reforma do Estado, não houve nenhuma alteração estrutural e os dados económicos não são de facto hoje melhores do que eram há três anos atrás. O que significa que esta política foi errada», defendeu o candidato do PS, que esteve acompanhado por dirigentes da Federação do PS do Algarve e por outros elementos da lista que lidera, como o antigo presidente da Câmara de Lagos Júlio Barroso.

Francisco Assis considerou que «a designação de "saída limpa" é uma adjetivação até um pouco estranha, na medida em que o que está aqui em causa é saber em que estado o país se encontra e quais são as perspetivas futuras».

«É isso que estamos a discutir nesta eleições, as perspetivas futuras para o país, se vamos ou não continuar a ser submetidos a uma política de austeridade brutal, com consequências muito negativas para a economia e para o equilíbrio social do país. Isso é o que vai estar aqui em discussão e se introduzimos ou não na Europa e no nosso país as mudanças necessárias para que esse processo possa ser interrompido», acrescentou.

Assis disse, ainda, que a situação económica nacional se baseia atualmente em «previsões que são absolutamente falíveis, porque em matérias de riscos profundos a situação não se alterou e é exatamente a mesma circunstancialmente».

«Houve uma intervenção do Banco Central Europeu (BCE) há ano e meio, houve alguma alteração de comportamento do BCE e o quadro internacional é mais favorável porque há uma grande liquidez dos mercados internacionais e, momentaneamente, isso favorece as nossas economias. Por tudo isto é que estamos neste momento nesta situação e nada garante que venhamos a estar» no futuro, frisou.

Para o primeiro candidato da lista do PS às europeias «é importante, sem qualquer tipo de pessimismo, salientar a necessidade de fazer mudanças estruturais, nomeadamente na questão da dívida, porque continua a ser um problema sério do país».

Após a visita ao mercado de Olhão, a comitiva do PS visitou a fábrica da Conserveira do Sul, também naquela cidade, e uma unidade fabril em São Brás de Alportel.