A ministra da Justiça afirmou, este sábado, em Viana do Castelo, que os serviços que tutela responderam de "modo exemplar" aos "trágicos acontecimentos", causados pelos incêndios florestais que se "abateram" sobre Pedrógão Grande.

É essa a administração pública que queremos e, é esse, o modo de servir a causa pública que os cidadãos reclamam e merecem", sustentou Francisca Van Dunem à margem do VII Congresso dos Solicitadores e Agentes de Execução, que hoje encerrou em Viana do Castelo.

No final daquela sessão e questionada pela Lusa sobre a investigação em curso para apurar as causas dos incêndios, a governante sublinhou a autonomia do Ministério Público (MP) mas disse estar "segura que o MP, ao nível da investigação, também trabalhará com rigor e que, dentro da razoabilidade dos prazos, seguramente, encontrará o tempo para dar as respostas que a investigação justifique".

No discurso que proferiu no encerramento daquele congresso, Francisco Van Dunem, uma semana depois da tragédia, a governante fez questão de lembrar "a devastação, a tristeza e o luto que súbita, brutal e irracionalmente se abateram sobre aquelas famílias mudando, para sempre, o curso das suas vidas".

Francisca Van Dunem referiu que a "solidariedade e a condolência" para com as famílias afetadas pelos incêndios exprime-se em palavras mas releva, também, de atos".

No plano institucional, no que ao Ministério da Justiça diz respeito, essa solidariedade traduziu-se em assegurar que a Polícia Judiciária interpretaria com a máxima celeridade o seu papel na identificação judiciário dos cadáveres. Em assegurar, que as estruturas de medicina legal responderiam com prontidão às necessidades de identificar e autopsiar os cadáveres. Que os registos processariam, em cadeia articulada com a medicina legal os assentos de óbito", referiu.

Destacou que "as autópsias foram concluídas em 48 horas e, em menos de cinco dias, todos os cadáveres foram identificados".

Estão todos em condições de serem entregues às famílias para que estas, finalmente, celebrando as exéquias cumpram essa etapa do luto" disse, acrescentando terem sido "criados postos móveis para permitir a renovação de documentos de identificação perdidos e estão a ser implementados procedimentos simplificados de abate de veículos".

O fogo que deflagrou em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou a Figueiró dos Vinhos e a Castanheira de Pera, fazendo 64 mortos e mais de 200 feridos.

As chamas chegaram ainda aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra, mas o fogo foi dado como dominado na quarta-feira à tarde.

incêndio que teve início no concelho de Góis, no distrito de Coimbra, atingiu também Arganil e Pampilhosa da Serra, sem fazer vítimas mortais. Ficou dominado na manhã de quinta-feira e como extinto este sábado.