O Partido Comunista Português defende que o dinheiro usado para apoiar a banca deve ser transferido para a prevenção de incêndios em Portugal. A esta propósito, apela a uma nova política de ordenamento florestal, que contrarie a “hegemonia do eucalipto” e aumente as equipas no terreno, recorrendo, se necessário, às verbas que têm sido canalizadas para o setor financeiro.

Em conferência de imprensa sobre fogos florestais no Centro de Trabalho do PCP no Porto, o membro da comissão política do Comité Central João Frazão exigiu que sejam tomadas “medidas excecionais a que é necessário dar prioridade inequívoca” quer pelo Governo da República quer pelo Governo Regional da Madeira, tendo em conta a “situação de autêntica catástrofe” que se vive na região autónoma, cita a Lusa.

“Desde logo, há uma questão essencial que colocamos que é o reforço da cooperação técnica e financeira entre o Governo da República e o Governo da Região Autónoma da Madeira. Está evidente que é indispensável uma intervenção e que podem até ser necessários meios financeiros que podemos ter que disponibilizar, quer o Governo da República quer a partir do orçamento da Região Autónoma da Madeira, para atender a esta situação”, afirmou João Frazão.

Como resolver o problema?

Depois de lembrar os vários equipamentos públicos atingidos, o dirigente comunista recordou que o começo do ano letivo está por “meia dúzia de dias”. E defendeu uma verdadeira política de ordenamento florestal.

“O problema dos incêndios florestais só pode ser resolvido com uma efetiva política de ordenamento florestal, contrariando as extensas monoculturas, de limpeza da floresta, de plantação de novas áreas de floresta tradicional (…), de abertura de caminhos rurais e aceiros, de valorização da agricultura e da pastorícia, de ocupação do espaço rural”.

Para além da criação de um “rigoroso cadastro da floresta portuguesa (…) que não tem saído do papel ou das experiências-piloto”, os comunistas defendem que é preciso "retomar o Corpo de Guardas Florestais" e reforçar as equipas de sapadores florestais que, segundo o Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, prevê a existência de 500, face aos 283 hoje existentes.

Questionado sobre se há meios suficientes no Orçamento do Estado para tais medidas ou se seria necessária uma dotação específica, João Frazão referiu que “é possível fazer mais com o dinheiro que existe, mas também há muitas outras medidas que vão precisar de mais meios”.

Com o exemplo do reforço dos sapadores florestais, o membro da comissão política do Comité Central do PCP afirmou que “se for preciso mais meios é preciso arranjar esses meios e é preciso que o Orçamento do Estado seja capaz de lhes dar saída”.

“Se for necessário retirar aos apoios que têm vindo a ser dados à banca, se for necessário retirar aos apoios que têm vindo a ser dados ao capital financeiro, creio que não será difícil encontrar esse dinheiro"

Os comunistas anunciaram ainda que iriam intervir hoje na conferência de líderes, na Assembleia da República, “com o objetivo de que esta matéria seja tratada com prioridade para que seja criado um grupo de trabalho de acompanhamento para, com a maior brevidade possível, fazer com o Ministério da Administração Interna o ponto da situação e avaliar as medidas tomadas e a tomar”.