O ministro das Finanças, Mário Centeno, participa segunda-feira, em Bruxelas, na sua primeira reunião do Eurogrupo, na qual deverá apresentar aos seus homólogos dos países da zona euro os planos e prioridades económicas do XXI Governo Constitucional.

Numa altura em que a Comissão Europeia já comunicou a Centeno que está disponível a esperar até início de janeiro pelo projeto orçamental de Portugal para 2016, um alto responsável do fórum de ministros das Finanças da zona euro admitiu que o Eurogrupo está “curioso” por ouvir o novo titular da pasta das Finanças, que sucede a Maria Luís Albuquerque.

O responsável lembrou que Mário Centeno “já esteve na cidade” de Bruxelas, na terça-feira passada, “para uma primeira série de discussões com a Comissão” Europeia, devendo hoje, “como é habitual para um novo ministro de um novo governo, apresentar os planos políticos e prioridades do recém-empossado Governo”.

Questionado sobre se há preocupação no seio do Eurogrupo com os planos do novo Governo socialista, o alto responsável do fórum de ministros das Finanças da zona euro admitiu que o Eurogrupo está “curioso” relativamente ao projeto orçamental que Lisboa deve apresentar a Bruxelas em janeiro, designadamente de que modo o novo executivo liderado por António Costa conta manter o país “no caminho da consolidação orçamental e das reformas estruturais”, que visam resolver os grandes problemas de competitividade do país.

Por fim, o mesmo responsável apontou que, apesar de Portugal já não estar sob programa de assistência financeira, “há muitos instrumentos” através dos quais as políticas económicas do país são monitorizadas – de uma forma mais constante do que países que não tenham tido assistência externa, apontou -, entre os quais a vigilância pós-programa e a vigilância por desequilíbrios macroeconómicos.

Mário Centeno fará hoje a sua estreia em reuniões do Eurogrupo, depois de, na última terça-feira, já se ter deslocado à sede da Comissão Europeia, para reuniões nas quais o executivo comunitário lhe comunicou que está disposto a esperar “até final do ano/início de janeiro”, pelo esboço do plano de Orçamento do Estado para 2016, que Portugal deveria ter apresentado até 15 de outubro passado.

Fonte comunitária disse à agência Lusa que o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude-Juncker, deixou claro que Bruxelas “não quer um plano de orçamento com base num cenário de políticas inalteradas”, mas que até “ao final do ano/início de janeiro deverá ser entregue um verdadeiro plano de Orçamento do Estado”.