O líder da tendência Alternativa e Responsabilidade do CDS-PP, Filipe Anacoreta, desafiou este sábado Paulo Portas a subscrever a moção que aquele movimento apresentará ao Congresso centrista, mas não exclui uma candidatura à liderança.

Em entrevista à Lusa, Filipe Anacoreta afirmou também ter expectativa de que o XX Congresso do CDS-PP, que se realiza a 11 e 12 de janeiro, em Oliveira do Bairro, seja um momento de «esclarecimento» por parte do presidente do partido, Paulo Portas, da crise de Governo de junho passado.

«Nós o que esperamos é que o CDS tenha abertura para considerar aquilo que propomos, mas, se não o fizer, nós estamos disponíveis, não temos medo disso, nem temos medo dos resultados que possa haver. O importante é dar a cara por isso, e estamos naturalmente disponíveis para apresentar as nossas propostas a votos», afirmou Filipe Anacoreta.

Apesar de não excluir avançar para a eleição de presidente do partido num Congresso que é eletivo, o líder da tendência AR diz que «o mais importante» são as propostas e desafiou Paulo Portas a dar um sinal relativamente às ideias que defende na moção «Ao serviço de Portugal» e que passam pela reforma do sistema eleitoral, diminuindo o número de deputados, a extinção de municípios e a fusão e extinção de organismos públicos.

«Lanço um desafio ao doutor Paulo Portas para que subscreva a nossa moção e as nossas propostas. Isso seria, sim, um grande sinal de abertura do partido, mais importante do que estarmo-nos a centrar na questão da liderança», desafiou.

Relativamente à crise política de junho, em que Paulo Portas chegou a pedir a sua demissão do Governo, que não foi aceite, tendo sido depois nomeado vice-primeiro-ministro, Filipe Anacoreta diz que seria «muito importante que esse episódio fosse esclarecido».

«Gostava que esse episódio fosse esclarecido e tenho alguma expectativa que o doutor Paulo Portas veja neste Congresso uma oportunidade para um maior esclarecimento», afirmou, referindo que este é o momento, já que passou algum tempo, e que foi «muito importante que o partido soubesse superar esse momento».

Filipe Anacoreta diz que a moção do AR, de que é primeiro subscritor, agrega pessoas que «revelam um grande inconformismo, alguma insatisfação em relação a muitos aspetos da vida partidária, mas que estão muito mais preocupados em encontrar soluções do que em fazer barulho, estão muito mais preocupados com o futuro do país do que em criar alvoroço mediático».

Na moção de estratégia global, que será entregue na segunda-feira, a data limite para entrega de moções, proporão uma reforma do sistema político, que passe pela redução do número de deputados, com reforço da proporcionalidade, salvaguardando que os partidos mais pequenos não fiquem menos representados no Parlamento.