Este foi o congresso da consagração de António Costa. Dois meses depois de ter vencido as eleições primárias com mais de 67% dos votos e apenas uma semana após ter sido eleito secretário-geral do PS por larga maioria (96%), chegou a vez do autarca de Lisboa unir o partido à sua volta.



A detenção de José Sócrates prometia ensombrar os trabalhos dos socialistas este fim de semana e ofuscar a mensagem que o partido pretende passar para o eleitorado. Por isso, Costa deu a «ordem»: não falar do ex-primeiro-ministro durante o congresso. Foi Almeida Santos que o confirmou aos jornalistas.



O ex-presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, foi eleito presidente do PS durante este congresso, sucedendo a Maria de Belém. Foi ele o primeiro a falar em «maioria absoluta» este fim de semana, seguido por Manuel Alegre, que teve um dos discursos mais aplaudidos destes dois dias.



Os deputados do PS Renato Sampaio, André Figueiredo e Isabel Santos fizeram um intervalo nos trabalhos do congresso para irem ao Estabelecimento Prisional do PS visitar José Sócrates. 



Dois grupos de cante alentejano visitaram o congresso do PS, tendo mesmo cantado a «Grândola, Vila Morena» para os presentes. Os socialistas prestaram assim a sua homenagem ao novo Património Imaterial da Humanidade. Na foto, pode ainda ver-se Sampaio da Nóvoa, o independente que pode estar na corrida às presidenciais.



Por falar em Presidentes, só este congresso teve dois: Jorge Sampaio e Mário Soares, que na foto mostra o punho esquerdo erguido, sinal de que os seus quase 90 anos ainda mantêm energia suficiente para demonstrar o seu apoio a António Costa.



A palavra que enchia o palco este domingo era «confiança» e, por baixo dela, estão os novos membros do Secretariado Nacional e da Comissão Política Nacional do PS. No primeiro caso, a total ausência de «seguristas» no órgão executivo da direção deu que falar.



O XX Congresso do Partido Socialista foi uma espécie de «low-cost». Não houve bandeiras, nem material distribuído aos militantes e simpatizantes. A única bandeira do PS presente foi a mais tradicional de todas.



A aproximação de António Costa ao Livre já não era de agora, mas ficou confirmada com discurso de encerramento do secretário-geral socialista. O partido de Rui Tavares foi dado como «exemplo» de uma força política que «luta contra o bloqueio» da esquerda. A ponte entre os dois está estabelecida.



A família de António Costa subiu ao palco do congresso no final do discurso de encerramento. «A política dos afetos» foi, aliás, um tema recorrente nestes dois dias. Este domingo, a atriz Maria do Céu Guerra também subiu ao palco para ler os 34 nomes das mulheres que morreram este ano, vítimas de violência doméstica.

Fotos: Agência Lusa