O líder parlamentar do PS considerou-se insatisfeito com os esclarecimentos de Pedro Passos Coelho sobre a sua carreira contributiva, sustentando que este caso atingiu a autoridade democrática, a confiança e a credibilidade do primeiro-ministro.

Ferro Rodrigues falava aos jornalistas no final do debate quinzenal com o primeiro-ministro, no parlamento, após ser confrontado com as explicações dadas por Pedro Passos Coelho sobre a sua carreira contributiva perante a Segurança Social.

«Ninguém pode ter ficado satisfeito porque ele [Pedro Passos Coelho] limitou-se a repetir os argumentos que já tinha invocado nas respostas que enviou por escrito [ao PS e PCP]. Não pediu desculpas a ninguém e sempre mandou as responsabilidades para outrem», comentou o líder da bancada socialista.

Interrogado sobre a posição que será adotada pelos socialistas na sequência deste caso com o primeiro-ministro, Ferro Rodrigues referiu que o PS «já pediu a demissão deste Governo há mais de um ano» e que neste momento se está «à beira de o Presidente da República marcar eleições legislativas dentro dos prazos constitucionais».

«Essa questão vai ser avaliada pelos portugueses no momento em que votarem», advogou, antes de considerar que «a autoridade democrática» do primeiro-ministro «está francamente atingida», assim como «a credibilidade e a confiança».

«Mas já não é de agora. Já vem de trás. Mas este é um episódio marcante, porque houve 700 mil pessoas que pagaram naquele período com grandes dificuldades e até houve gente que emigrou por não ter capacidade para pagar as dívidas», sustentou Ferro Rodrigues.

De acordo com o presidente do Grupo Parlamentar do PS, nas próximas eleições, os portugueses vão decidir entre duas vias: «Querem a manutenção deste tipo de situações ou querem a mudança».

«Os portugueses já tiraram conclusões de tudo isto», acrescentou.