Eduardo Ferro Rodrigues não tem dúvidas: a solução governativa atual - um Governo socialista apoiado pela esquerda - é "melhor, muito melhor" do que um Governo de direita. O socialista, que é tamém Presidente da Assembleia da República, elogiou a "coragem" a "visão política" de António Costa e afirmou mesmo que se o PS tivesse dado luz verde a um executivo PSD/CDS teria seguido um caminho que levaria à sua "descredibilização". Palavras deixadas este sábado no Congresso do Partido Socialista, na Feira Internacional de Lisboa

"O que seria o PS hoje se tivesse viabilizado o programa do anterior governo? O que sentiriam os eleitores que nos confiaram o seu voto? (..) Esse caminho levaria o PS à descredebilização ética dos cidadãos. A solução encontrada é complexa e desafiante, mas certamente melhor, muito melhor, do que as alternativas que se colocaram."

Foi recebido efusivamente, com aplausos de pé, enquanto se ouvia "PS, PS, PS". Ferro Rodrigues começou por saudar o congresso para depressa tecer elogios ao Governo de António Costa, considerando que este Executivo está a governar no sentido de defender o Estado social. Porque essa tem de ser "a linha vermelha" do PS, afirmou.

"O Estado social tem de ser a nossa linha vermelha. (..) O nosso [Governo] recusou servir soluções que lhe são estranhas e que foram rejeitadas pela maioria dos eleitores."

Uma "linha vermelha" que tem de ser defendida mais do que nunca, até porque, como destacou, no contexto europeu os socialistas estão numa "encruzilhada histórica". Ferro Rodrigues afirmou que nos últimos anos "as palavras de ordem" na Europa passaram a ser "liberalizar, desregularizar, privatizar" e que essas mesmas palavras têm tido complacência do centro-esquerda. "Os socialistas estão a pagar por isso", notou.

"Estas tendências contaram, e contam, demasiadas vezes com a complacência de centro-esquerda. (..) Por toda a parte os socialistas estão a pagar por isso. É raro encontrar partidos progressistas com intenções de voto acima dos 20%. Em toda a Europa temos um crescimento económico anémico e uma desocnfiança em relação aos sistemas políticos."

Ferro Rodrigues aproveitou a reunião magna do partido para dizer que espera que existam mais espaços de debate abertos à sociedade porque "os partidos políticos têm um papel constitucional insubstituível" e "não podem funcionar em circuito fechado".

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