O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, afirmou hoje que haverá empenhamento total do parlamento na candidatura de António Guterres ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas e salientou que esse objetivo une todos os partidos.

Ferro Rodrigues falava aos jornalistas após ter recebido em audiência o antigo primeiro-ministro e ex-alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a quem ofereceu um livro sobre o Palácio de São Bento.

No final do encontro, que durou cerca de 30 minutos, Ferro Rodrigues declarou que "há um grande empenhamento do parlamento português no sentido de ajudar [o antigo primeiro-ministro] a ser o futuro secretário-geral das Nações Unidas".

"Todos os partidos se manifestaram nesse sentido", reforçou o presidente da Assembleia da República, que foi ministro dos dois executivos liderados por António Guterres (1995/2001).

Para Ferro Rodrigues, se António Guterres for escolhido para o lugar de secretário-geral das Nações Unidas, "não será apenas um grande momento para Portugal, mas também um grande momento para a humanidade".

"Num momento em que o mundo vive tantas e tão difíceis situações, tantas e tão difíceis crises, António Guterres é um enorme candidato secretário-geral das Nações Unidas, porque pode contribuir para virar uma página nas relações internacionais, através do seu humanismo, da sua persistência, capacidade de trabalho e independência face aos diversos blocos", sustentou o presidente da Assembleia da República.

Ferro Rodrigues, que sucedeu a António Guterres no cargo de secretário-geral do PS, em 2002, reconheceu em seguida que não será fácil o êxito da candidatura do ex-alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

"Mas penso que o reconhecimento que ao nível global é feito sobre o trabalho de António Guterres no ACNUR faz com que seja o mais reconhecido entre todos os proto candidatos. É evidente que se houver condições que se sobreponham a um debate entre as qualidades de cada personalidade - designadamente condições de género ou de origem geográfica - tudo será mais complicado", observou.

No entanto, segundo o presidente do parlamento, "caso haja um processo aberto na escolha do secretário-geral - e as Nações Unidas parece inclinarem-se para que esse processo seja muito mais aberto do que os anteriores - António Guterres então, com a sua experiência e pela forma esteve nos últimos anos ao serviço das Nações Unidas, é o melhor de todos os candidatos".

Apesar de caber aos governos o essencial do trabalho diplomático, Ferro Rodrigues disse que, pessoalmente, na qualidade de presidente do parlamento, nos contactos com os seus homólogos, fará "tudo o que puder para dar uma ajudinha".

"Esse objetivo não é apenas português. É também um objetivo mundial a alcançar", acrescentou, já depois de ter classificado António Guterres como "um grande amigo".