Eduardo Ferro Rodrigues, ex-secretário-geral do PS, acusou Durão Barroso de ter procurado lavar as mãos de qualquer responsabilidade na resposta da Europa à crise das dívidas soberanas.

“Lamento muito que Durão Barroso, para se defender a si próprio, tenha defendido o indefensável em matéria europeia e matéria nacional”, afirmou Ferro Rodrigues, aludindo à intervenção do ex-presidente da Comissão Europeia na Universidade de Verão do PSD.

Na intervenção, José Manuel Durão Barroso alertou para a necessidade do vencedor das eleições legislativas levar a cabo "uma política responsável", para não colocar em causa os "ganhos de credibilidade" acumulados nos últimos anos.
 

“Para apoiar o seu partido de sempre, fugiu à realidade e à verdade dos factos”, acrescentou, considerando que Durão Barroso “procurou lavar as mãos de qualquer responsabilidade dele próprio e da Comissão [Europeia] a que presidiu em tudo aquilo que se passou como reposta da Europa à crise internacional”.


Para Ferro Rodrigues foi “uma resposta absolutamente errada” com as políticas de austeridade a serem levadas à prática “numa base de tentar penalizar os países mais frágeis, mais fracos e que mais sofreram com um euro que foi criado de uma forma desequilibrada e que não tinha capacidade de responder a desafios como os que vivemos”.

Em Santa Cruz, onde participou no acampamento de jovens socialistas, Ferro Rodrigues criticou também o Governo, acusando a coligação de, nos últimos quatro anos, ter tido “um desprezo total” pelo sistema democrático.

Depois de terem criticado a governação socialista “por ser demasiado austeritária, por ter demasiadas políticas de corte nas funções sociais” e de dizerem que “os cortes nas gorduras do Estado chegavam para resolver todos os problemas do país, o que se passou foi que houve um total falsificação das suas palavras com a prática política que foi conduzida” por Passos Coelho e Paulo Portas, “os mesmos que agora vão andar em duas caravanas a tocar concertina e dançar o solidó".

Ferro Rodrigues falava num debate sobre “Refletir o presente, pensar o futuro”, que decorreu no âmbito do YES Summer Camp, um acampamento de jovens socialistas europeus a cuja organização a JS se candidatou, estando reunidos em Santa Cruz cerca de mil jovens.