A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, considerou esta sexta-feira que o Governo socialista se mostra «incompetente e desnorteado» relativamente ao que fazer para ultrapassar a crise e que «muda de rumo» de acordo com as conveniências.

Ao discursar num comício em Viseu que juntou mais de 1.500 pessoas, Manuela Ferreira Leite afirmou que «a dureza da actual crise interrompeu a fantasia e está a provocar um despertar muito difícil para uma realidade que não é mais possível esconder».

«Ao fim de quatro anos, chegou finalmente e realmente a hora da verdade. A hora de o Governo ser confrontado com as suas responsabilidades», considerou, acusando o Executivo de não ter sabido «aproveitar os anos de boa conjuntura internacional, fazendo o País andar para trás».

Na sua opinião, trata-se de «um Governo que não actua por convicção e, por isso, muda de rumo e de atitude de acordo com as conveniências».

«Com a entrada em campanha eleitoral, parece que neste momento o Governo está disposto a pensar um pouco mais nos funcionários públicos, a ceder a algumas aspirações dos professores ou a pagar as suas dívidas às empresas», afirmou, ironizando que «com estas alterações até parece que mudou de rumo».

No entanto, «porque não o faz com convicção», o Governo de José Sócrates «anuncia mas não executa ou então executa de forma inversa àquela que anuncia», lamentou.

A líder social-democrata criticou que, «por este tipo de manobras» e «de tentativa de alterações no seu discurso», o PS «se atreva a pedir aos portugueses que lhe concedam nova maioria absoluta».

Manuela Ferreira Leite disse ter chegado a hora de os portugueses escolherem se aceitam «como fatalidade o empobrecimento para que empurram as políticas socialistas» ou «insistir nas mesmas receitas falhadas, no engano e na ilusão».

«Eu não acredito no espectáculo e na mentira como forma de estar na política», frisou.

Realçou não acreditar «na desautorização das classes profissionais e na agressão à sua dignidade social como forma de fazer política», nem «na asfixia das empresas e das famílias em nome de obras opulentas de um Estado que tem vícios de rico» e disse não aceitar «a destruição da agricultura, porque isso significa o abandono de três quartos do território nacional».

«Precisamos de virar esta página. É preciso que todos saibam que não estamos condenados a este triste estado de coisas», sublinhou.