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«Avançar significa cair no fundo. Aquilo que há a fazer é travar»

Manuela Ferreira responsabiliza socialistas pelo estado em que se encontra o país

Por: Hugo Beleza  |  31- 8- 2009  20: 24

Apresentação de candidatos JSD

Um cartaz do PS serviu esta tarde para Manuela Ferreira Leite fazer uma demarcação de águas em relação às políticas socialistas e dizer que mais do que «avançar» é preciso «travar». Porque avançar com elas, disse a líder «laranja», «será o desastre do país, será o desastre das futuras gerações».

Durante a apresentação dos candidatos da JSD à Assembleia da República, no Museu do Oriente, em Lisboa, Manuela Ferreira Leite discursou perante cerca de uma centena de apoiantes, aos quais manifestou o espanto e preocupação por um novo slogan de campanha do PS.

«Eu fiquei verdadeiramente espantada e preocupada com os novos cartazes do Partido Socialista que diz: "Vamos Avançar". Portanto, utiliza a palavra "avançar". Eu penso que, neste momento, a coisa mais perigosa que existe é avançar com as politicas socialistas», disse Ferreira Leite.

«Plano inclinado»

Para a líder social-democrata, «a política socialista está a conduzir o país num plano inclinado». «Avançar significa cair no fundo. Aquilo que há a fazer é travar para ver se conseguimos inverter a situação», sublinhou, com um novo reforço, perante uma assembleia maioritariamente constituída por jovens: «Avançar com esta politica será o desastre do país, será o desastre das futuras gerações».

Sem pensar em seguir em frente, Manuela Ferreira Leite fez uma retrospectiva dos últimos governos portugueses, entre eles o que integrou como ministra das Finanças. «Não podemos deixar de considerar que a situação em que o país está resulta, exclusivamente, das políticas socialistas. Em 14 anos de governos, onze são socialistas, apenas cerca de três são do PSD, em que evidentemente não houve tempo para corrigir tudo aquilo que era feito antes».

«Bandeira da liberdade»

Manuela Ferreira Leite apelou aos jovens que não se esqueçam da «bandeira da liberdade» e, recorrendo à intervenção anterior do presidente da JSD, Pedro Rodrigues - que acusara a JS de seguidismo em relação a José Sócrates -, atirou sobre o líder do PS: «Toda a sociedade tem de dizer sim ao engenheiro Sócrates ou tem de dizer não ao engenheiro Sócrates».

E continuou, valendo-se da retórica: «Por vontade do engenheiro Sócrates, Pedro, o país era uma enorme caixa de ressonância, não só a juventude socialista».

Ainda sobre o tema da liberdade, Ferreira Leite fez uma leitura que arrancou aplausos na plateia. «Uma forma de perda de liberdade é a extrema dependência de tudo aquilo que são decisões do Estado a dependência da situação económica em que vivemos», frisou.

Para Ferreira Leite, lançou um apelo ao protesto contra o que considera ser a hipoteca do seu futuro. «Já nos estamos a endividar em relação às gerações futuras e contra isto os jovens tem de se manifestar», disse, lamentado que muitos tenham de emigrar por necessidade.

Contrato eleitoral

Antes da líder social-democrata, Pedro Rodrigues havia apresentado os candidatos da JSD a deputados. São 46 ao todo - entre efectivos e suplentes -, dos quais onze em lugares elegíveis, se os sociais-democratas repetirem o resultado das últimas legislativas.

Além da apresentação dos candidatos foi também apresentado um «Contrato Eleitoral». No documento, são assumidos compromissos de «transparência, de proximidade e de credibilização do sistema político».

De acordo com o líder da juventude social-democrata, os futuros deputados irão prestar contas detalhadas das suas actividades, mas também dos motivos que os levarem a faltar, recusando justificações genéricas como «trabalho político». «As nossas justificações têm de ser densificadas, para que os jovens portugueses saibam o que é que os nossos deputados andaram a fazer para não estarem no Parlamento, no plenário ou nas comissões», disse Pedro Rodrigues.

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