O líder da concelhia de Lisboa do PSD considerou esta quarta-feira que a decisão do Tribunal Constitucional que permitiu a candidatura de Fernando Seara à capital representa «o primado da política», adiantando que a lista será entregue na sexta-feira.

Num acórdão de 29 de julho a que a Lusa teve hoje acesso, o Tribunal Constitucional (TC) classificou de «urgente» o recurso de Fernando Seara, depois de o Tribunal Cível de Lisboa e o Tribunal da Relação terem impedido a candidatura à Câmara de Lisboa do autarca de Sintra, na sequência da ação interposta pelo Movimento Revolução Branca.

A decisão do TC atribuiu efeito suspensivo ao recurso - que suspende o impedimento da candidatura determinado por instâncias judiciais anteriores ¿ e decidiu também ordenar o prosseguimento do processo para alegações, fixando um prazo de 20 dias para as partes se pronunciarem.

Na prática, Fernando Seara pode avançar para Lisboa - os candidatos autárquicos têm até 05 de agosto para formalizar a apresentação das listas junto dos tribunais de comarca -, ficando o Tribunal Constitucional a avaliar o seu recurso, podendo confirmar ou rejeitar a candidatura.

«Para o PSD, a decisão do TC é o reforço tremendo do nosso acreditar que vamos conseguir ganhar nas eleições de 29 de setembro», declarou à Lusa o presidente da concelhia de Lisboa, Mauro Xavier.

O dirigente social-democrata considerou que prevaleceu «o primado da política», alegando que «ninguém entendia por que é que um movimento se imiscuiu nas eleições autárquicas».

Mauro Xavier acrescentou que Fernando Seara «tem por direito e opção própria candidatar-se» e a sua candidatura, apoiada pelo PSD e pelo CDS-PP, «é para ir até ao fim».

Questionado sobre se existe um «plano B» caso a candidatura de Seara venha a ser recusada pelo Tribunal Constitucional, o responsável do PSD-Lisboa negou.

«Enquanto partido, escolhemos Fernando Seara porque acreditamos piamente que é o melhor candidato a Lisboa. O plano A, B, C... chamam-se todos Fernando Seara», afirmou.

Mauro Xavier mostra-se convicto na vitória da candidatura, sublinhando que António Costa (PS), atual presidente do município lisboeta e recandidato ao cargo, «não fará quatro anos de mandato».

António Costa, disse, é um «candidato-canguru, que leva Fernando Medina [deputado do PS e ex-secretário de Estado da Indústria e Desenvolvimento e número dois da lista] no bolso» e «quer ser candidato à Presidência da República, às europeias ou a primeiro-ministro, conforme as eleições que vierem primeiro».