O deputado social-democrata Fernando Negrão defendeu que o país precisa de "novos consensos" de médio e longo prazo e apontou que o bem-comum exige a refundação da "subordinação do poder económico ao poder político" consagrada na Constituição.
 

"O bem comum exige que, claramente, refundemos e reafirmemos a subordinação do poder económico ao poder político consagrada na nossa Lei Fundamental."


Na sessão de comemoração dos 41 anos do 25 de Abril, no parlamento, Negrão defendeu a necessidade de se procurar "a transparência onde ainda imperam zonas de sombra que diminuem o alcance da lei e da justiça", e considerou que o fim do programa de assistência marca um antes e um depois.
 

"Em 2015, depois de dolorosos anos de soberania limitada e condicionada, nada mais poderá ser como dantes. Temos de aprender com os nossos erros, transformando-os numa sabedoria partilhada, capaz de servir de base para os novos consensos de que o país tão urgentemente necessita. Consensos estes que não deverão existir só por serem politicamente corretos, mas sim e principalmente por assentarem numa visão do país de médio e longo prazo, com o objetivo de poder melhorar hoje sem pôr em causa poder continuar a melhorar amanhã."


Para Fernando Negrão, no "quadro de esperança" que está pela frente, "há que escolher o caminho da responsabilidade e não o caminho da ilusão". "Doravante, o escrutínio deverá ser maior e mais minucioso, a exigência de bem-fazer terá de ser permanente", declarou.

Já o deputado do CDS-PP Michael Seufert defendeu que é legítimo perguntar àqueles que nos últimos quatro anos se insurgiram contra alegadas traições à revolução dos cravos, não onde estavam no dia 25 de Abril, mas onde estavam "quando Portugal foi conduzido à bancarrota".
 

"Se nos últimos quatro anos ouvimos de forma quase-habitual vozes que vinham reclamar a ‘pureza de Abril', os ‘valores de Abril' ou chegaram até a apontar um dedo aos que, diziam eles, ‘traíam' Abril, então é legítimo perguntar-lhes não ‘aonde é que tu estavas no 25 de Abril?' mas ‘onde é que tu estavas quando Portugal foi conduzido à bancarrota?"


O deputado do CDS-PP disse pertencer a uma geração a quem a dívida limitou a liberdade. Michael Seufert afirmou que, não tendo vivido "os tempos da revolução", agradece "o legado da democracia" mas há "uma herança" que "bem dispensaria": "a herança da dívida pública".
 

"Empurrada com a barriga porque sucessivos governos se dispensaram de governar com o que tinham e fizeram questão de governar com o dinheiro da geração seguinte. Essa dívida, durante muito tempo a conhecida e a escondida, vinha em galopante crescendo e limita - e muito! - a liberdade da minha geração e das seguintes. E ao ouvir aqueles que a contraíram queixar-se da ‘troika' que trouxeram e reclamar contra austeridades que criaram, apetece responder ‘não devia ter sido para isso que se fez o 25 de Abril'."