O presidente da comissão de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), o deputado Fernando Negrão, disse esta quarta-feira que os partidos consideraram nesta fase essenciais as audições de Miguel Frasquilho, Fernando Ulrich e Paulo Portas.

«Para já consideramos como essenciais as audições do doutor Miguel Frasquilho, doutor Fernando Ulrich e doutor Paulo Portas. Estas serão as [que se seguirão]» às já marcadas, declarou hoje aos jornalistas Fernando Negrão, deputado do PSD.

O responsável pela comissão falava após uma reunião de coordenadores dos partidos, onde ficou acordada a urgência em chamar ao parlamento o presidente da AICEP, Miguel Frasquilho, o presidente do BPI, Fernando Ulrich, e o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.

No campo das repetições, a comissão acordou em chamar de novo, para já, o antigo líder do BES Ricardo Salgado, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares.

Entretanto, a maioria das perguntas às personalidades que vão responder por escrito já foram enviadas e deverão começar a surgir respostas «dentro de uma semana, semana e meia», vincou Fernando Negrão.

«Temos um prazo a cumprir. Os trabalhos da comissão terminam a 20 de abril», acrescentou, sublinhando não haver uma data limite para as audições terminarem mas acrescentando que neste dia já terá de haver relatório final dos trabalhos da comissão.

O texto tem como deputado relator Pedro Saraiva, do PSD.

As audições na comissão de Zeinal Bava e de Henrique Granadeiro, ex-líderes da Portugal Telecom (PT), foram hoje reveladas e decorrerão nos dias 26 de fevereiro e 04 de março, respetivamente.

Ambos os responsáveis vão prestar esclarecimentos aos deputados que integram a comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES, uma vez que lideravam a PT quando a operadora fez aplicações financeiras de quase 900 milhões de euros em papel comercial da Rioforte, "holding" do GES que não cumpriu o pagamento à operadora nos prazos previstos.

De resto, foi atualizada a lista de audições até 10 de março desta comissão, cujos trabalhos prosseguiram hoje com a presença no parlamento de João Moita, do BES Angola (BESA).

Na quinta-feira, vai ser a vez de serem ouvidos os líderes das associações de clientes bancários.

Às 16:00, os deputados vão ouvir os argumentos de Ricardo Ângelo, presidente da Associação de Defesa dos Clientes Bancários Lesados, Investidores em Papel Comercial, e às 17:30, será a vez de entrar em ação Luis Vieira, presidente da Associação de Defesa dos Clientes Bancários (ABESD).

Já na próxima semana, dia 24, será ouvido Gonçalo Cadete, administrador financeiro da Rioforte (09:00), e os administradores do Banco Espírito Santo (BES), Jorge Martins e João Freixa (15:00).

No dia 26 de fevereiro, pelas 16:00, é a audição de Zeinal Bava, e a 04 de março, pelas 16:00, é ouvido Henrique Granadeiro.

A 05 de março entra em cena o administrador financeiro da PT SGPS, Luis Pacheco de Melo (16:00).

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades.