O presidente da concelhia de Lisboa do PSD disse sexta-feira que vai questionar se o presidente da Câmara Municipal de Lisboa e a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda “mantêm a confiança política” no vereador Ricardo Robles.

Paulo Ribeiro reafirmou à agência Lusa que o vereador do Bloco de Esquerda (BE) da Câmara de Lisboa, Ricardo Robles, “não reúne condições para exercer o cargo de vereador”, depois das declarações dadas hoje aos jornalistas durante uma conferência de imprensa na sede do BE.

O autarca, que assumiu os pelouros da Educação e Direitos Sociais na sequência de um acordo de governação da cidade firmado com o PS depois das últimas autárquicas, considerou ter condições para se manter no cargo e defendeu que o pedido de demissão feito pela concelhia do PSD não tem “qualquer base”.

O presidente do PSD/Lisboa reafirma que “a sustentabilidade política [de Robles] está em causa” e, por isso, “o PSD devolve a questão” ao presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), e à coordenadora nacional do Bloco, Catarina Martins, para saber se “mantêm a confiança política no vereador e se tem condições políticas para exercer o cargo”.

Paulo Ribeiro explicou que “não está em causa a legitimidade” de Robles “enquanto cidadão para fazer o que fez”, mas sim “a inconsistência, incoerência e falta de ética” na perspetiva política, “enquanto vereador da Câmara Municipal de Lisboa”.

Robles resiste

Durante a conferência de imprensa e questionado sobre se teria condições para continuar a integrar o executivo municipal, Robles foi taxativo: “com certeza que sim”.

Em causa está uma notícia avançada na edição de hoje do Jornal Económico, que dá conta que em 2014 o autarca adquiriu um prédio em Alfama por 347 mil euros, que foi reabilitado e posto à venda em 2017 avaliado em 5,7 milhões de euros.

Na sequência desta publicação, a concelhia de Lisboa do PSD pediu a demissão do vereador bloquista, acusando-o de "falta de ética, seriedade e credibilidade política".

Em comunicado enviado às redações, o PSD de Lisboa exigiu “a demissão do vereador Ricardo Robles por manifesta falta de ética, de seriedade e de credibilidade política para permanecer no cargo de vereador na cidade de Lisboa”.

Sobre o apoio do partido, o eleito apontou que prestou à Comissão Política “todos os esclarecimentos”.

Dei conhecimento antecipadamente e, portanto, toda esta informação foi partilhada com a direção do Bloco, com a Comissão Política, e considero que estão esclarecidas todas as questões que foram colocadas”, continuou, adiantando que estas informações foram transmitidas também à restante vereação, na reunião camarária que decorreu esta manhã.

Na conferência de imprensa, o vereador reiterou que a avaliação do prédio “foi feita por uma agência imobiliária, que o teve à venda por seis meses até abril” e que “desde então, o imóvel não está a venda”.

Por isso, sublinhou, “esta compra não foi uma operação especulativa”.

Agora, Ricardo Robles assegura que vai “colocar o imóvel em propriedade horizontal, de forma a poder dividir as frações”.

Não venderei a minha parte do imóvel e colocarei as minhas frações no mercado de arrendamento. Não comprei este prédio para o vender com mais-valias e, pela minha parte, não o farei”, afirmou.

Questionado sobre a existência de um conflito entre o que defendeu na campanha eleitoral e o que tem defendido enquanto vereador – uma vez que se tem mostrado muito crítico da especulação imobiliária e da saída dos moradores da cidade – Ricardo Robles defendeu que “não há nenhuma incoerência”.

Na sua opinião, o vereador está a “exercer enquanto proprietário” aquilo que defende para a cidade, uma vez que está “a dar o exemplo” pelo “direito à habitação, pelo direito à permanência na cidade”.