Fernando Medina acredita que, mesmo contra a sua própria vontade, o Presidente da República vai acabar por indigitar António Costa como primeiro-ministro. Na 21ªHora da TVI24, o autarca de Lisboa defendeu que, apesar das várias interpretações que vão sendo feitas sobre a demora de Cavaco Silva em tomar a decisão, o chefe de Estado não tem outra alternativa, já que um Governo de gestão só vai gerar mais incerteza e prejudicar a situação financeira do país que já é "débil".
 

“O Presidente da República não tem nenhuma outra alternativa senão a indigitação de António Costa como primeiro-ministro. Apesar das notícias que têm surgido e, no fundo, as múltiplas interpretações que vão havendo sobre o real sentido da voz e da palavra do Presidente, eu acho que ele só pode ter uma, que é a indigitação de António costa”, afirmou.

 “Quer por razões institucionais, quer por razões políticas, mas também por razões económicas, o Presidente, não gostando da solução, não estando convencido com a solução, acabará por tomar a única solução que ele verdadeiramente tem que é indigitar António Costa”, reiterou.


Fernando Medina disse fundamentar a sua opinião na própria palavra do Presidente da República, que “afirmou com muita clareza que, desde a revisão de 1982, os governos não respondem perante o Presidente da República e respondem perante o Parlamento.” O comentador lembrou até que Cavaco Silva, na comunicação que fez ao país após as eleições legislativas, endereçou claramente ao Parlamento as responsabilidades sobre a decisão da solução governativa.

 “E por isso é normal que o Presidente ouça, é normal que o Presidente discuta, é até perfeitamente normal que o Presidente discorde e tente alicerçar e engrossar, no fundo, a sua discordância com a solução que o Parlamento lhe propõe, mas acho que no final não terá outra solução”, defendeu Fernando Medina.

“Até porque eu creio que o Presidente não desejará de forma alguma ter responsabilidades sobre o que seriam as consequências muito graves para o país de ir à outra alternativa que era um Governo de gestão”, acrescentou.


Sobre as afirmações de Cavaco Siva de que também esteve cinco meses em gestão em 1987, Fernando Medina interpretou as palavras do Presidente da República “ mais como uma resposta à questão do tempo da decisão dele”, mais como uma questão de forma do que de conteúdo.

“Porque, obviamente, sobre o conteúdo não pode haver qualquer tipo de paralelo. Não há paralelo com o facto de ele [Cavaco Silva] ter estado em gestão com um Governo aprovado à espera de umas eleições que podiam acontecer”, sublinhou.

Fernando Medina contrapôs que, no momento atual, acabaram de acontecer eleições e um governo de gestão não é uma solução que “se resolva amanhã”. Em 1987, explicou o comentador, havia Orçamento do Estado aprovado. Manter um Governo de gestão que não tem capacidade de aprovar nenhum Orçamento significa, para Fernando Medina, atirar para setembro a apresentação do Orçamento do Estado 2016 no momento em que o país estará a apresentar Orçamento do Estado para 2017.