O presidente da Câmara Municipal de Lisboa afirmou esta terça-feira que o combate ao terrorismo deve ser "implacável" e que o "medo não pode vencer na sociedade", ressalvando que o julgamento não deve ser generalizado para além dos terroristas.

"O Estado de direito deve agir de forma implacável contra todos aqueles que continuam a perpetrar e a espalhar o terror nas nossas sociedades", afirmou Fernando Medina aos jornalistas no final de uma cerimónia de homenagem do município às vítimas dos atentados, que provocaram mais de 30 mortos e cerca de duas centenas de feridos.

Na opinião do autarca, "estes terroristas devem ser perseguidos e devem ser julgados no Estado de Direito, mas que não pode haver nenhum julgamento nem nenhuma generalização que não seja precisamente a estes que cometeram os atos terroristas".

"O medo não pode vencer nas nossas sociedades", frisou Fernando Medina, que tinha como pano de fundo os Paços do Concelho iluminados com as cores da bandeira da Bélgica (preto, amarelo e vermelho).

"Nós estamos perante um fenómeno de brutalidade extrema que está dentro das nossas sociedades ocidentais, está dentro dos países ocidentais, está no coração da União Europeia", disse.

Pelas 20:38 as cerca de 50 pessoas presentes na Praça do Município fizeram um minuto de silêncio, ao qual se seguiu o toque do hino belga.

A cerimónia contou com a presença dos vereadores da Câmara de Lisboa, da presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta, do embaixador da Bélgica em Portugal, Boudewijn Dereymaerker, do cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, e do imã da mesquita de Lisboa, David Munir.

À semelhança do que aconteceu após os atentados de Paris, a onda de solidariedade com os belgas manifestou-se também com a projeção das cores da bandeira da Bélgica em vários edifícios e monumentos como a Torre Eiffel, em Paris, o Palácio Real de Amesterdão, o Burj Khalifa no Dubai, a Porta de Brandeburgo, em Berlim, ou os Paços do Concelho de Lisboa.  

Na homenagem em Lisboa, Fernando Medina destacou a "iniciativa de solidariedade para com todos aqueles que sofreram a barbárie destes atentados, as vítimas, seus familiares, toda a comunidade na Bélgica em primeiro lugar, mas também todos aqueles que recentemente têm sido vítimas" de ataques, como as populações de Istambul, na Turquia.

Questionado sobre um aumento das medidas de segurança em Lisboa, Medina considerou não ser este “o momento" para responder.

O embaixador da Bélgica em Portugal agradeceu a homenagem e condenou as "atrocidades, os atos bárbaros que aconteceram esta manhã".

Também o cardeal-patriarca de Lisboa manifestou solidariedade para com "todos os cidadãos de Bruxelas".

Paira "um sentimento de responsabilidade e reforço daquilo que nos faz europeus, com o nosso sistema de valores, de respeito e promoção dos direitos humanos, salvaguarda da liberdade, da justiça, quer para aqueles que já cá vivemos com para os que chegam", notou Manuel Clemente.

Também presente na cerimónia, o imã da mesquita de Lisboa sublinhou que "infelizmente os que praticaram [os ataques] professam a religião islâmica, [mas] o Islão não tem nada a ver com isso".

"Sempre iremos estar em conjunto para prevenir e para combater aquilo que é o terrorismo que não tem nenhuma religião, que não tem pátria, que não tem região", afirmou.

David Munir avançou ainda que está a ser organizado um encontro inter-religioso, a ter lugar na mesquita central de Lisboa na sexta-feira.