O Bloco de Esquerda pediu hoje ao ministro da Saúde para “ter a coragem” de demitir o seu secretário de Estado Adjunto, a propósito de declarações sobre as condições dos doentes nas urgências hospitalares.

Em causa estão afirmações de Fernando Leal da Costa na sequência de uma reportagem emitida em abril pela TVI sobre as condições nas urgências hospitalares, declarações nas quais o governante dizia ter visto “ pessoas bem instaladas”.

“Demitir o secretário de Estado era uma boa medida para as urgências. Tenha essa coragem e assuma isso, senhor ministro”, declarou a deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, partido que requereu um debate de urgência sobre a situação da saúde em Portugal e que hoje decorreu no parlamento.


A oposição criticou a posição assumida por Leal da Costa após a emissão da reportagem, com o PCP a considerar que as declarações “mostram o desprezo do governo pelos problemas dos doentes”.

Também presente no hemiciclo da Assembleia da República, Leal da Costa defendeu-se, argumentando que as suas declarações foram descontextualizadas.

“Ao fim de quatro anos, a única coisa que a oposição é capaz de me apontar é um comentário truncado a uma reportagem de má qualidade”, afirmou o secretário de Estado.


Após a reportagem emitida em abril, num comentário aos jornalistas, Leal da Costa afirmou: “O que nós vimos foram pessoas bem instaladas, bem deitadas, em macas com proteção anti queda, em macas estacionadas em locais apropriados, algumas dos quais em trânsito eventualmente para outro serviço. Vimos pessoas em camas articuladas, vimos pessoas com postos de oxigénio, vimos hospitais modernos, vimos sobretudo profissionais muito esforçados».

“É uma reportagem que só vem confirmar a opinião que eu tenho, que os serviços de urgência em Portugal funcionam muito bem, é uma experiência que confirma que tem picos de afluência, como nós já sabíamos, durante a noite os serviços tendem a encher-se, durante o dia tendem a estar mais vazios, por força da própria orgânica do sistema”, afirmou ainda na altura.


Leal da Costa já tinha emitido uma nota sobre as suas próprias declarações onde considerava que tinham sido descontextualizadas as suas afirmações: “A peça televisiva emitida selecionou apenas uma parte do que disse, colando as minhas palavras a imagens que procuravam contradizer as minhas afirmações e omitiu declarações importantes sobre a necessidade de valorizar e seguir com atenção uma realidade ali amplamente filmada, que é a problemática dos doentes idosos”.