O secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde apelou hoje, Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, aos políticos, comentadores e governantes para não usarem a palavra «autista» ou «autismo», na definição de comportamentos ou de supostas atitudes políticas.

«Está na hora de todos nós melhorarmos a nossa linguagem. O uso sistemático e recorrente da palavra "autista" ou "autismo", na definição de comportamentos políticos ou de supostas atitudes políticas, tem de ser banido do léxico do linguajar comum dos nossos comentadores, deputados, autarcas, governantes», lê-se no apelo de Fernando Leal da Costa, que pode ser lido no Portal da Saúde.

Para o governante, «não é aceitável o recurso a um termo de caracterização médica para categorizar a política. Ofende pessoas doentes, pessoas diferentes e as suas famílias. Um autista é uma pessoa com qualidades próprias que não a torna inferior a mais ninguém».

Leal da Costa adianta que também «chamar alguém de esquizofrénico não é aceitável, tal como dizer que há comportamentos esquizofrénicos ou de outra índole psicopatológica, é incorreto e injusto para todas as pessoas afetadas com doença mental».

«Se é verdade que não é aceite chamar a outro de "imbecil", "idiota", "oligofrénico" ou "cretino", tudo terminologia médica com significado nosológico preciso, então o "autista" e o "esquizofrénico" também devem ser completamente eliminados de crónicas, discursos, intervenções, comentários e dichotes que só minimizam quem os prefere», prossegue o governante.