O secretário de Estado Adjunto e da Saúde reiterou hoje em Gondomar, distrito do Porto, a vontade do Governo em promover a reforma dos cuidados de saúde primários com que se comprometeu em 2015.

Numa intervenção no 10.º Encontro Nacional das USF - Unidades de Saúde Familiar, o governante, interpelado pela plateia, admitiu que "2017 e 2018 não estão a ser tão frutuosos e positivos quanto deviam ser", mantendo que isso não o "desmoraliza nem tira a força".

É importante saber para onde queremos ir. Queremos fazer a reforma, é um compromisso que está no programa do Governo e muito relevante para o futuro do Serviço Nacional de Saúde", reiterou Fernando Araújo.

Organizado pela Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) com o lema: "10 anos depois? É tempo de celebrar as USF!", a iniciativa que se estende até sábado pretende fazer um debate alargado sobre a organização da saúde em Portugal, a partir das unidades de saúde.

Estamos a trabalhar de forma ativa, persistente para mostrar a todos os interlocutores que este é o caminho certo e que traçar este caminho traz mais vantagens clínicas e económicas, do ponto de vista global, para a sociedade", insistiu o secretário de Estado sobre a reclamada reforma.

Fernando Araújo reincidiu na "frustração" quando o tema foi o ensino piloto nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), afirmando ser "uma das metas mais importantes" quando chegou ao Governo e que o facto de "nada ter acontecido entretanto" lhe causa "frustração".

Ainda assim, disse ser "expectável que nos próximos meses" haja uma "informação teórica e enquadradora de como pode ser feita essa autonomia, contratualização e capacidade dos ACES de terem uma gestão diferente da que é agora".

Espero até ao final do ano poder avançar com experiências-piloto nos ACES, mostrando a todos que um ACES diferente, com mais capacidade de intervenção, é possível e capaz de melhores resultados em saúde e de muito maior motivação de todos os seus profissionais", rematou.

Sobre o tema da aplicação dos incentivos institucionais, revelou que o "valor que está a ser discutido com as Finanças ronda os três milhões de euros" e que "até julho deverá haver um documento enquadrador" de como "recorrer à subvenção".

Ainda neste ponto, o presidente do comité organizador do encontro, Álvaro Pereira revelou uma proposta no "sentido de conseguir uma diminuição no consumo de 20%, acabando este valor dos incentivos por reverter para os ACES", desafio que Fernando Araújo reputou de "importante" e a que quer "dar todo o apoio".

Quanto aos recursos humanos, e com o moderador a lembrar que em 2016 o concurso de colocação de médicos foi concluído em agosto e que em 2017, "com surpresa" se estendeu até outubro, Fernando Araújo, reconheceu-o e justificou-o "não por causa da lei, mais devido a outras coisas".

"Estamos a trabalhar para ter este ano um concurso célere", afirmou o secretário de Estado, realçando também a "questão da mobilidade", cujo concurso quer que "ocorra todos os anos".