A comissão parlamentar de Economia aprovou hoje, por unanimidade, uma proposta do PCP contra o encerramento da fábrica da antiga Triumph, no concelho de Loures, solicitando intervenção do Governo para ajudar a encontrar uma solução, inclusive novo comprador.

Intervindo na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, no parlamento, a deputada do PCP, Rita Rato, vincou que, “independentemente do processo – já que [a falência] ainda não foi formalmente decretada pelo tribunal –, não é tempo de atirar a toalha ao chão”, podendo “fazer-se muito”.

A comunista destacou que em causa está “a maior empresa têxtil da região, com uma mão-de-obra muito significativa”.

Entendemos que o Governo e o Ministério da Economia devem – assim como foi possível encontrar uma solução para a empresa ser adquirida – intervir no sentido de conseguir um comprador para a empresa que salvaguarde a sua viabilidade económica e os postos de trabalho”, salientou Rita Rato.

Por seu lado, o deputado do PS Luís Moreira Testa assinalou que “os pressupostos e as preocupações” são as mesmas de há cerca de dois anos, quando o grupo alemão Triumph anunciou que iria vender a fábrica de Loures, que detinha desde os anos 1960.

Quando vemos que uma empresa […] está em perigo, não passa pela cabeça do poder político não fazer o que estiver ao seu alcance para evitar o encerramento da empresa”, afirmou, mostrando “esperança em que o Governo possa ter solução para o futuro desta unidade fabril”.

Já António Costa Silva, do PSD, sublinhou a necessidade de “tentar inverter o que for possível ou [de] levar a empresa a ter melhor solução, inclusive novo comprador”.

Enquanto o bloquista Heitor de Sousa se mostrou “completamente de acordo” com o documento do PCP, o centrista Pedro Mota Soares falou na “dimensão muito significativa” da companhia para a região e para o país.

O projeto de resolução em causa, apresentado pelo PCP com caráter de urgência, aponta que “esta situação é da maior gravidade” já que “os trabalhadores têm dezenas de anos de serviço na empresa e um nível de especialização muito elevado”.

Por isso, recomenda ao Governo que “recorra a todos os instrumentos ao seu alcance para impedir o encerramento da empresa Têxtil Gramax Internacional, a redução dos postos de trabalho e [que] garanta a sua manutenção, bem como todos os postos de trabalho e o cumprimento dos direitos dos trabalhadores”.

A fábrica da antiga Triumph (de roupa interior feminina), sediada na freguesia de Sacavém, no concelho de Loures, foi adquirida no início de 2016 pela Têxtil Gramax Internacional e emprega atualmente cerca de 400 trabalhadores.

No entanto, em novembro passado, a administração da empresa comunicou aos trabalhadores que iria ocorrer um processo de reestruturação, que previa o despedimento de 150 pessoas.

Na sexta-feira, depois de tomarem conhecimento de que a administração tinha iniciado um processo de insolvência, os trabalhadores iniciaram uma vigília à porta das instalações para impedir a saída de material.

As últimas informações dão conta de que o processo de insolvência terá dado entrada em tribunal, mas que não foi decretado um administrador.

Entretanto, na passada segunda-feira os trabalhadores da Têxtil Gramax Internacional realizaram mais uma ação simbólica de protesto, que pretende chamar a atenção do Governo, mas sobretudo do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.