O chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, vai ser ouvido no Parlamento na próxima terça-feira, dia 21, a requerimento do CDS-PP, para prestar esclarecimentos sobre a recuperação do material militar roubado na base de Tancos.

O requerimento, entregue no dia 3, será votado formalmente na comissão parlamentar de Defesa Nacional antes da audição, mas os grupos parlamentares já reuniram consenso para avançar com a audição, que foi marcada para o dia 21, às 16:00, e deverá decorrer à porta aberta.

A audição do ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, solicitada pelo PS e já aprovada, sobre o mesmo assunto, será agendada para depois da audição do CEME.

O pedido do CDS-PP foi feito na sequência das declarações de Rovisco Duarte, que revelou, em conferência de imprensa no dia 31 de outubro, que havia uma caixa de petardos a mais na relação do material furtado nos paióis de Tancos e recuperado pela Polícia Judiciária Militar.

O CDS-PP quer "clarificar com maior pormenor" a "falha de correspondência" entre o material furtado em Tancos em junho e aquele que foi recuperado e obter mais esclarecimentos sobre "o processo de transferência do equipamento militar para outras instalações militares partilhadas pelos restantes ramos das Forças Armadas" e sobre a criação do sistema de segurança "que assegure a salvaguarda daquele equipamento".

Em conferência de imprensa na Unidade Apoio Geral Material do Exército (UAGME), Benavente, Santarém, para fazer o ponto da situação da desativação dos Paióis de Tancos, Rovisco Duarte confirmou que o material recuperado na Chamusca "se encontra armazenado nas instalações de Santa Margarida, exceto as munições de 9 milímetros".

O general Rovisco Duarte revelou em seguida que na relação do material encontrado "existe uma caixa a mais [de petardos], que não constava da relação inicial" do material furtado, situação que considerou "compreensível".

O CEME considerou que a "ligeira discrepância" é "perfeitamente compreensível", dizendo que o material em causa era utilizado na instrução, podendo ter sido registada a sua saída e não ter sido na realidade consumido por várias razões, como por exemplo atmosféricas, regressando ao paiol.