O PS mostra-se preocupado com os últimos dados da execução orçamental do país, criticando a governação do executivo liderado por Pedro Passos Coelho.

«Vemos estes dados com grande preocupação. Olhamos para aquilo que o Governo disse e vemos que as expetativas hoje são muito mais baixas e diminutas que há um ano, há dois, há três. O Governo tem governado com maioria, sempre empobrecendo os portugueses, com políticas e normas jurídicas inconstitucionais», disse no parlamento o deputado do PS António Gameiro, a propósito da síntese de execução orçamental publicada hoje pela Direção-Geral de Orçamento (DGO).

Para o PS, é necessário o Governo «entender-se» sobre a «estratégia que quer trazer para Portugal quer no orçamento retificativo quer para o ano de 2015», dizendo António Gameiro que o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, deixou um «recado» para Passos Coelho ao indicar que estaria presente no Conselho de Ministros extraordinário de terça-feira.

«Estamos muito preocupados com este modo de governar, com esta governação económica que não olha para as pessoas», sublinhou.

«Estamos num momento em que a nossa governação produziu resultados piores do que jamais tivemos em Portugal. Precisamos de inverter o ciclo e fazer de maneira diferente. Com o PS seria diferente e estaríamos já num ciclo virtuoso de crescimento económico», defendeu, ainda, António Gameiro.

Já o PCP «não está surpreendido com os dados da execução orçamental até julho, que vêm evidenciar a degradação, mês após mês, desses dados, que refletem em parte o abrandamento e a degradação da situação económica do país», disse Ricardo Oliveira, dirigente comunista.

O elemento da Comissão de Assuntos Económicos do PCP considerou mesmo que «prossegue o saque sobre o rendimento das famílias e sobre o consumo das famílias através dos impostos», o que, advogou, «não resolve a situação financeira do país».

«É necessário terminar, romper, assumir a rotura com esta política, só possível com a demissão deste Governo», sustentou, chamando a atenção para a economia portuguesa que, adverte, está «débil, em profunda desaceleração e com níveis de desemprego insustentáveis».

Para o BE, os números da execução orçamental demonstram um «enorme fracasso naquele que tem sido avançado como o principal objetivo do Governo». «Existe um aumento do défice, esse aumento do défice está associado a um aumento da dívida pública para 20 pontos percentuais acima daquilo que tinha sido prometido com a intervenção da troika», afirmou José Gusmão, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Aludindo à justificação do Governo para o aumento da despesa, relacionada com a reposição dos salários da função pública e o pagamento do subsídio de férias, o dirigente bloquista lamentou que o executivo não fale da «derrapagem» de 350 milhões de euros dos juros e encargos da dívida.

«Mostra uma bola de neve, que é a divida pública, que está a esmagar a sustentabilidade das nossas contas públicas», referiu.

José Gusmão referiu-se ainda ao aumento da receita fiscal, considerando que a retoma que indicia apenas foi possível com a decisão do Tribunal Constitucional «que protegeu o rendimento das famílias» ao pronunciar-se pela reposição dos salários no setor público.