O PSD acusou hoje o Governo de mascarar os números da execução orçamental ao cortar no investimento público e aumentar os pagamentos em atraso, sendo esta a receita para "fazer com que a despesa pareça ser menor".

De acordo com a síntese de execução orçamental hoje divulgada pela Direção-Geral do Orçamento (DGO), o défice orçamental, registado em contas públicas, atingiu os 4.980,6 milhões de euros até julho, uma melhoria de 542,8 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado, enquanto o Estado arrecadou mais de 21 mil milhões de euros em impostos até julho.

"Como a receita está abaixo do previsto, só tem [o Governo] uma forma de esconder o seu mau desempenho: é fazer com que a despesa pareça ser menor. Não se faz investimento e não se paga. É a receita deste Governo", disse o deputado do PSD Duarte Pacheco aos jornalistas nos passos perdidos do parlamento.

Segundo o social-democrata, "os números da execução orçamental de julho reforçam as preocupações" do PSD, explicando que para isso basta ler com cuidado o boletim da DGO e "não o comunicado propagandístico do Ministério das Finanças".

"Face à euforia que se vive nos partidos que suportam o Governo nós só podemos dizer o seguinte: é uma euforia porque apoiam este Governo porque se fosse outro Governo a apresentar esta execução certo que estariam muito preocupados", atirou.

Duarte Pacheco exemplificou que há "um corte no investimento público superior a 240 milhões de euros face ao ano passado" e que "os pagamentos em atraso desde o início do ano aumentaram cerca de 260 milhões de euros".

"Se somarmos o pagamento em atraso e o corte no investimento, só aí teríamos um défice superior aquele que ocorreu no ano passado", enumerou, acusando o Governo de "mascarar os números".

O deputado do PSD lamentou que a receita esteja a crescer "muito abaixo daquilo que o Governo previa, sobretudo nos impostos diretos, mostrando que a atividade económica está relativamente a estagnar", apenas com as exceções dos impostos sobre os combustíveis e tabaco.

CDS-PP defende que valor do défice é “particularmente preocupante”

A vice-presidente do CDS-PP Cecília Meireles defendeu que o valor do défice hoje divulgado é "particularmente preocupante", sublinhando igualmente o aumento dos impostos indiretos e os pagamentos em atraso expressos na síntese de execução orçamental.

"Em primeiro lugar, salientava como muito preocupante o valor do próprio défice porque passou, em valores acumulados, em junho, de 2800 milhões, para, em julho, quase 4900 milhões de euros. Estamos a falar de um aumento substancial apenas num mês e isto significa também que a diferença em relação ao défice do ano passado diminuiu bastante, o que é particularmente preocupante quando sabemos que o objetivo do défice é chegar aos 2,2%", afirmou Cecília Meireles à Lusa.

 

"Mesmo estes valores são conseguidos à custa da fiscalidade e sobretudo da fiscalidade ‘à la esquerda', que é acentuar os impostos sobre a classe média e as empresas. Aquilo que está a suportar o crescimento da receita fiscal são os impostos indiretos e é sobretudo o imposto sobre os produtos petrolíferos", argumentou Cecília Meireles.

A dirigente e deputada centrista sublinhou que "os outros impostos não estão a evoluir favoravelmente, sobretudo os que têm a ver com o crescimento económico, o IRC e o IVA".

"Estes valores continuam também a demonstrar que a despesa está muito longe de estar controlada, diria que, quanto muito, está disfarçada. Quer os valores dos passivos não financeiros, quer, sobretudo, os pagamentos em atraso, que têm vindo a aumentar paulatinamente desde o princípio do ano, mantêm-se praticamente inalterados", sustentou.