O PS acusou esta quinta-feira o Governo de «não cortar na despesa corrente».

«Depois de tantos cortes e de tantos anúncios de reduções, a despesa do Estado continua a aumentar mês após mês e não numa rubrica, aumenta na aquisição nos bens e serviços, transferências, subsídios e juros», disse à agência Lusa o dirigente do PS Óscar Gaspar.

O conselheiro económico do PS reagia à síntese da execução orçamental de abril, hoje publicada pela Direção-Geral do Orçamento (DGO).

Segundo a DGO, o défice das administrações públicas atingiu os 2.217,5 milhões de euros até abril deste ano, um aumento de 1.393,3 milhões de euros face ao mês anterior.

De acordo com a síntese da execução orçamental de abril, o saldo provisório das administrações públicas, relevante para efeitos de aferição do cumprimento do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) ascendeu, até abril de 2014, a 2.217,5 milhões de euros, o que «compara favoravelmente com o valor observado em igual período do ano precedente (-2.411,3 milhões de euros)».

«Leva-me a concluir que à semelhança do que aconteceu nos últimos anos, havendo uma redução dos valores nominais do défice, não há uma verdadeira consolidação, porque a despesa continua a aumentar», afirmou.

Óscar Gaspar adiantou que «o Governo não está a fazer aquilo que devia, que era cortar na despesa corrente», destacando que na execução orçamental do mês de abril «há um aumento de todas as rubricas de despesa corrente» e um «corte nas prestações sociais».

«Quando ainda temos níveis recorde de desemprego e de problemas sociais, constata-se que no primeiro quadrimestre do ano há uma redução de todas as prestações sociais», sustentou.

O dirigente socialista chamou também a atenção para o «aumento bastante significativo do lado da receita fiscal, nomeadamente do IRS» e para a subida das dívidas por pagar.

«O Estado volta aumentar as dívidas por pagar, que já ultrapassam os dois mil milhões de euros em abril», observou, acrescentando que «há uma série de fenómenos que aconteceram em abril que permitem dizer ao PSD que são melhores que há um ano atrás, mas são questões pontuais e extraordinárias».

Óscar Gaspar referia-se à venda de aviões F16 à Roménia, de serviços da Parque Escolar e pagamento da subconcessão das estradas de Portugal.