O PCP acusou, esta terça-feira, o Governo de promover um conjunto de «jogadas» e de «manobras» para diminuir artificialmente o desemprego em Portugal no plano estatístico, que não tem qualquer correspondência com a realidade social do país.

Jorge Machado, deputado do PCP, falava aos jornalistas no Parlamento, depois de o boletim de abril do Eurostat indicar que a taxa de desemprego em Portugal registou neste mês a segunda maior descida homóloga da União Europeia, de 17,3 por cento para 14,6 por cento, apenas atrás da Hungria.

«Estamos perante um conjunto de manobras por parte do Governo no sentido de diminuir artificialmente aquilo que é a estatística do emprego registado, o que não tem qualquer correspondência com a realidade», contrapôs Jorge Machado.

Para o deputado do PCP, «apesar das jogadas do Governo em torno de efeitos contabilísticos e de estatística, a verdade é que Portugal tem um desemprego registado de 36 por cento entre os jovens, o que é verdadeiramente inaceitável».

«A verdade é que o desemprego continua em níveis demasiado altos para que alguém possa cantar vitória no país», apontou.

Perante os dados do Eurostat, Jorge ;achado advogou que se tratam de indicadores «referentes ao emprego registado nos institutos de emprego e formação profissional e não de estatística de emprego».

«De um mês para o outro há cerca de oito mil pessoas que saíram das estatísticas por se encontrarem em formação profissional e há uma redução da população ativa, assim como um conjunto de trabalhadores com contratos de empregos e de inserção que não são empregos propriamente ditos, além do fenómeno da emigração. Tudo isto contribui para a diminuição das estatísticas», sustentou o deputado do PCP.