A primeira candidata do BE às europeias, Marisa Matias, instou hoje o PS a responder ao desafio lançado para esclarecer a vinculação ao tratado orçamental, considerando que não se podem «fazer falsas promessas» só porque decorre a campanha eleitoral.

Em Espinho, no final de uma arruada calorosa a participada durante a feira semanal, Marisa Matias foi questionada pelos jornalistas sobre a acusação feita no domingo à noite pelo cabeça de lista do PS, Francisco Assis, que criticou o BE e o PCP por atacarem o PS em vez de se focarem no combate a um Governo de direita.

«Nós estamos centrados na política da austeridade. Nas questões da chantagem, da dívida que foi imposta aos portugueses. Eu gostava de ouvir o PS nestas eleições a responder aos desafios que têm sido colocados em matéria de tratado orçamental, de reestruturação da dívida. Isso eu gostava de ouvir o PS fazer em vez de andar sempre nesta troca de palavras», respondeu Marisa Matias.

A cabeça de lista do BE às europeias declarou que «o PS sabe muito bem que defender os compromissos» inscritos no programa político apresentado no sábado «e ao mesmo tempo o tratado orçamental é enganar as pessoas».

«Responda, por favor, qual é a sua vinculação com o tratado orçamental porque, se de facto o defendem, não podem apresentar aqueles compromissos. Não se pode, lá porque estamos em campanha, fazer falsas promessas», instou.

Marisa Matias gostava que no centro do debate destas eleições fossem colocadas as «questões centrais» para o país e a Europa, como a reestruturação da dívida e o tratado orçamental.

Interrogada sobre a elevada abstenção que se prevê para o dia 25 de maio - na feira de Espinho Marisa Matias ouviu queixas e o desalento dos portugueses com a política - a eurodeputada recandidata disse que «ninguém pode ficar satisfeito num cenário em que mais de metade da população não vota».

«A abstenção é uma preocupação muito grande. Há um afastamento muito grande também das pessoas em relação às decisões que são tomadas no Parlamento Europeu mas a verdade é que essas decisões afetam muito as suas vidas e deviam ser as eleições em que as pessoas deveriam estar mais motivadas para votar», justificou.

Para Marisa Matias, «uma das consequências mais dramáticas da política da austeridade é afastar as pessoas da democracia».

«O que está aqui em causa é avaliar a austeridade, é avaliar as políticas da troika mas há uma interligação [com a política nacional] e no final do dia 25 terá que se retirar obviamente conclusões, sem nunca perder do centro aquilo que está mesmo em causa», enfatizou.