O primeiro candidato do CDS-PP da coligação Aliança Portugal, Nuno Melo, afirmou hoje que Sócrates «chegou à campanha» através de Pedro Silva Pereira e responsabilizou os socialistas pela austeridade que dizem ir a votos nas eleições europeias.

Num almoço em Macedo de Cavaleiros, Melo aconselhou ainda o secretário-geral do PS, António José Seguro, e o ex-Presidente da República Mário Soares a telefonarem ao seu «correlegionário de partido» e vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, sobre a conferência do BCE, FMI e Comissão Europeia que começa em Portugal no dia das eleições.

Perante o presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP, Paulo Rangel, Nuno Melo disse que os eleitores se devem preparar «para quase tudo» durante a campanha eleitoral.

«Em boa verdade, José Sócrates já chegou à campanha, ou melhor, Silva Pereira falou, o que é mais ou menos a mesma coisa. E falou para dizer o quê? Que a direita empurrou o país para a ajuda externa e que no próximo dia 25 de maio o que vai a votos são as políticas de austeridade«, afirmou.

Nuno Melo questionou-se sobre «que espécie de ataque amnésico» terá assolado o socialista Pedro Silva Pereira, candidato do PS às europeias e ex-ministro do anterior governo, «para o fazer esquecer onde estava no dia 11 de maio de 2011».

«Eu digo-vos: estava ao lado de Sócrates, em frente à troika, a assinar a austeridade que vai a votos em Portugal. Se a austeridade vai a votos, então, a votos irão necessariamente os socialistas, Silva Pereira a começar, e com ele todos os outros, que até 2011 arruinaram este país, lançaram-nos na bancarrota, trouxeram-nos essa troika e essa austeridade», argumentou.

Melo referiu-se à conferência que reunirá em Portugal responsáveis das instituições que compõem a troika no dia das eleições e que motivou uma queixa na Comissão Nacional de Eleições do Bloco de Esquerda, a que se seguiu uma queixa da CDU, bem como críticas do líder do PS e do antigo Chefe de Estado Mário Soares.

«Até diria que tendencialmente estaria de acordo. Agora, nós não podemos fazer nada para o evitar, já António José Seguro e Mário Soares, sim. O que eu lhes peço é que telefonem ao correlegionário de partido Vítor Constâncio, que é supervisor e vice-presidente do BCE, e diga que não venham», desafiou.

«Fará muito mais sentido do que criticar quem não pode fazer nada, que é basicamente quem governa no Estado português», disse.