O cabeça de lista da Aliança Portugal, Paulo Rangel, renovou hoje o apelo ao PS para que assine o manifesto «nunca mais», argumentando que os socialistas terem subscrito o Tratado Orçamental não chega para evitar o «despesismo».

Ao lado do primeiro candidato do CDS-PP, Nuno Melo, após uma visita à Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD), Paulo Rangel argumentou que «neste momento é já evidente que José Sócrates está a fazer uma OPA [Operação Pública de Aquisição] sobre o PS de António José Seguro».

«Isto é que é claro, porque continua a defender-se os investimentos públicos, os gastos, os tipos de discurso que temos ouvido, todos apontam nesse sentido», afirmou.

O candidato insistiu para que os socialistas assinem o manifesto «nunca mais», que pede o fim de políticas que terão levado à intervenção externa e que tem como primeiro subscritor o economista António Nogueira Leite.

Confrontado com o facto de o PS ter assinado o Tratado Orçamental, Paulo Rangel respondeu: «Estamos agora a falar de Portugal, quanto à política portuguesa face aos objetivos europeus, o PS tem que fazer esse compromisso, que é o compromisso de não voltar a fazer aquela política».

«O PS também tinha compromissos quanto ao défice e quanto à dívida em 2009, em 2010 e em 2011, não cumpriu nenhum. Precisamos que o PS dê um sinal nesta campanha europeia de que se compromete a não repetir as políticas que fizeram com que tivéssemos uma intervenção da troika», acrescentou.

O primeiro candidato do CDS-PP, Nuno Melo, voltou a trazer a pen em forma de pulseira da campanha de 2011 de José Sócrates, com um slogan com a ideia de «mudança», tal como o da atual campanha europeia. «O PS muda, muda, muda, mas tudo mudado fica sempre na mesma», declarou.

Pegando nas palavras do candidato do PS às europeias e ex-ministro de Sócrates, Pedro Silva Pereira, Melo justificou as constantes referências da coligação PSD/CDS-PP ao antigo chefe de governo: «Pedro Silva Pereira terá dito em Celorico de Basto que quando se julga Sócrates é todo o PS que está a ser julgado. Se é todo o PS que traz Sócrates para a campanha, então, faz todo o sentido que falemos dele», declarou.

Para Rangel, «é preciso que haja uma declaração clara do PS no sentido de dizer que renuncia ao despesismo» e está «disposto a um programa de responsabilidade financeira», considerando «realmente preocupante» que os socialistas não tenham subscrito o manifesto nunca mais, três dias depois do apelo da Aliança Portugal para que o fizessem.

Já a coligação PSD/CDS-PP está a ultimar a «rúbrica final» ao documento, disse Rangel, sublinhando que reflete a «mensagem» da sua campanha e que nem precisavam de o fazer.

O cabeça de lista assegurou também que o candidato do Partido Popular Europeu (PPE) à Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, também o fará, já que o político luxemburguês foi abordado por Nogueira Leite para o fazer, à entrada para um jantar comício no sábado à noite e remeteu a assinatura para depois, não tendo existido nenhum momento público de formalização desse compromisso.