O socialista Martin Schulz defende um programa de combate à evasão fiscal e apoio à contratação jovem, enquanto o candidato conservador Jean-Claude Juncker apontou o emprego como prioridade, afirmando contudo que este não existirá «sem finanças saudáveis».

Num debate entre os cinco candidatos à presidência da Comissão Europeia, esta quinta-feira, em Bruxelas, o alemão Martin Schulz foi o primeiro a tomar a palavra e apontou baterias aos «especuladores e bancos que tiveram perdas de biliões» que «os contribuintes tiveram de pagar».

Considerando que as desigualdades são «inaceitáveis» na União Europeia, o socialista afirmou que caso seja presidente não terá contemplações para com a fraude e evasão fiscal e prometeu um programa de apoio a empresas com benefícios para a contratação de jovens.

O alemão afirmou ainda que apesar das políticas de austeridade, a recuperação das elevadas taxas de desemprego não está a acontecer e que é preciso «combater a miséria» que grassa em vários países.

Já o luxemburguês Jean-Claude Juncker, candidato do PPE, atualmente a maior família política europeia, vincou que a consolidação orçamental «tem de continuar», mantendo «o crescimento o emprego no centro da ação política».

Juncker disse que «não há emprego sem finanças saudáveis» e que a disciplina orçamental «é para continuar», já que essa é uma condição essencial para «quem quer mais investimento», lembrando ainda que «foram os democratas-cristãos que tiveram de gerir a atual crise».

Durante o debate, o luxemburguês, a par do liberal Guy Verhofstadt, elogiou o trabalho feito pelo comissário europeu do Mercado Interno, Michel Barnier, no âmbito da união bancária e refutou críticas do grego Alexis Tsipras (Esquerda Europeia).

«Durante anos trabalhei dia e noite para evitar que a Grécia saísse da eurozona, gosto da Grécia e do povo grego, lutei para que os mercados não continuassem a especular na Grécia, não aceito essa acusação de que não fomos solidários com a Grécia», afirmou.

O belga Guy Verhofstadt considerou por seu lado que só mais integração e cooperação no espaço europeu podem fazer com que o «velho continente» reganhe o seu espaço na cena mundial.

O candidato dos Liberais considerou que é preciso apostar em setores estratégicos, como o digital, a energia ou as telecomunicações, para que o modelo europeu possa competir com economias como a China, a Índia ou os Estados Unidos.

Neste contexto, Verhofstadt criticou a fragmentação no setor tecnológico europeu e a diversidade de operadores, que torna complexa qualquer decisão ou política comum.

Alexis Tsipras, do Partido da Esquerda Europeia, teve uma intervenção centrada no combate às políticas de austeridade e acusou os três principais partidos de serem responsáveis, pelas suas decisões, pelo aumento do euroceticismo.

«Temos de parar a recessão e a austeridade e com esta paranoia da dívida, precisamos de uma nova dimensão europeia e de ter um momento de solidariedade como tivemos com a Alemanha em 1953, anular parte da dívida dos países, senão vamos continuar com uma depressão económica», afirmou o grego.

A candidata dos Verdes, Ska Keller, advogou que nas eleições europeias está em causa a escolha por uma «Europa alternativa, que se preocupa com as pessoas e não com os bancos, que não deixa ninguém para trás, com mais solidariedade e mais democracia».

«Investimento é a palavra-chave, não a austeridade», declarou.