A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins disse hoje que a «única alternativa» que respeita Portugal é a reestruturação da dívida pública.

Catarina Martins falava num almoço/comício realizado num hotel do Funchal no âmbito da pré-campanha eleitoral para as eleições europeias de 25 de maio e que teve a presença da cabeça de lista, a eurodeputada Marisa Matias.

«É por isso que o mote do BE a estas eleições é de pé, não podemos continuar subservientes a interesses que destroem o nosso país, temos de estar de pé, juntar forças pela única alternativa que respeita o nosso país e, essa alternativa, é restruturar a divida pública», declarou.

A líder nacional do BE manifestou-se contra o tratado orçamental e defendeu ser tempo de «acabar com a chantagem, ter força, um país que se levanta e reestrutura a divida pública é um país que é justo e que protege o futuro».

«Reestruturaram-se pensões, reestruturaram-se salários, reestruturaram-se serviços públicos, reestruturaram-se setores inteiros da economia que foram à falência, reestruturou-se o emprego retirando direitos e a finança continua a lucrar», lembrou.

Para Catarina Martins, «está na altura de fazer a única reestruturação que conta para que exista futuro digno, para criar emprego, para proteger direitos de quem trabalha e de quem quer trabalhar e essa é a reestruturação da dívida publica».

A dirigente bloquista criticou ainda o candidato às europeias do PS, Francisco Assis: «decidiu citar o primeiro-ministro francês, François Hollande, e dizer, como dizia Hollande, que um país europeu não pode fazer grandes transformações. Isto não é mais do que a completa capitulação dos socialistas à finança, à Alemanha de Angela Merkel, ao sistema financeiro que está a ser salvo, resgatado à custa do sacrifício e do empobrecimento de quem trabalha».

«Não faltamos a nenhuma luta, não faltamos a nenhuma batalha, não capitulamos perante a finança e não seremos nunca subservientes na Europa, com o BE vamos às lutas que contam como reestruturar a dívida, ter uma alternativa, querer o pleno emprego no centro das políticas da Europa, respeitando os povos, querer um futuro digno e decente com gente dentro», concluiu.

«Saída limpa» foi para a banca

A cabeça de lista do BE às eleições europeias, Marisa Matias, disse que a única saída limpa que houve foi para a banca alemã e francesa, numa alusão a uma entrevista do ex-conselheiro económico de Durão Barroso.

O ex-conselheiro económico do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, Philippe Legrain, numa entrevista publicada este domingo no jornal Público diz que «as ajudas a Portugal e à Grécia foram resgates aos bancos alemães».

«Não houve nenhuma saída limpa, a única saída limpa que existiu, como nós temos dito à exaustão, foi para a banca comercial alemã e para a banca comercial francesa», disse Marisa Matias no almoço/comício no Funchal no âmbito das eleições europeias.

«Para o povo, a saída limpa foi mais desemprego, mais desigualdade social, foi menos saúde, menos educação e uma dívida que não para de aumentar e é cada vez mais insustentável», acrescentou.

Para Marisa Matias, a declaração do ex-conselheiro económico que negociou com Durão Barroso «os termos do resgate (...) é uma coisa que não se pode deixar passar. É uma forma, muito clara e muito transparente de destapar toda esta vergonha de quem mentiu» aos portugueses.

A candidata considerou que «é, por isso, tão importante que, no dia das eleições, o povo português vá votar de pé, de pé pela dignidade, de pé pelo respeito, de pé pela democracia, pelos direitos que estão a ser roubados», finalizou.