O presidente da federação do PS de Viana do Castelo afirmou hoje à Lusa que o anúncio da disponibilidade de António Costa para disputar a liderança do Partido Socialista «não é oportuno».

«Neste momento, a um ano de eleições legislativas não me parece oportuno que surja uma mudança na liderança do partido. A disponibilidade do António Costa pode ter toda a boa intenção mas neste momento não me parece oportuna», afirmou José Manuel Carpinteira.

Afirmou ainda já ter encetado contactos com as estruturas locais do partido e a «esmagadora maioria está com o secretário-geral do PS, António José Seguro».

«Em dez concelhias, sete claramente estão com António José Seguro e uma ainda está em dúvida. As restantes manifestaram intenção de apoiar uma candidatura de António Costa caso venha a ser concretizada», concluiu.

Também os presidentes das federações do Baixo Alentejo e de Évora do PS defenderam que «não faz sentido» pôr em causa a liderança do PS, considerando «extemporâneo» o anúncio da disponibilidade de António Costa.

«Não faz sentido nenhum, é extemporâneo», porque o PS, no passado domingo, «ganhou as eleições» europeias, «num momento em que a direita teve a maior derrota de sempre», disse o presidente da Federação do Baixo Alentejo do PS, Pedro do Carmo.

Já o presidente da Federação de Évora do PS, José Bravo Nico, disse não ver «necessidade de se colocar a questão da liderança na agenda política», porque o partido «tem um secretário-geral eleito«, que «acabou de vencer as suas segundas eleições com a maior derrota de sempre da direita».

Contactado pela Lusa, o presidente da Federação de Portalegre, Luís Moreira Testa, escusou-se a comentar a disponibilidade de Costa.

Quanto ao líder da distrital do PS/Porto disse ter visto com «estupefação» o anúncio da candidatura «sem sentido» de António Costa ao lugar de secretário-geral do partido e garantiu que estará sempre do lado de Seguro.

Rui Prudêncio, presidente da Federação Regional do Oeste (FRO) do PS disse que «não é altura para discutir a liderança» e classificou de «incongruente» o anúncio da disponibilidade de António Costa.

Para a FRO, António Costa «está a fazer um frete ao Governo ao transformar uma vitória nas europeias numa derrota».

Já o PS-Madeira, através do presidente Vítor Freitas, disse «não ver com bons olhos» a possibilidade de uma candidatura de António Costa à liderança do partido e manifestou «todo o seu apoio» ao atual secretário-geral.

Também o presidente da distrital de Santarém disse que «não é este o momento de discutir a liderança», lamentando que Costa esteja a repetir «o filme» de há um ano quando apelou à «clarificação e depois não se candidatou».

Para o PS Coimbra a intenção de Costa é «um favor ao governo» e que apenas fragiliza o Partido Socialista.

«Esta posição de António Costa não é mais do que um favor a este Governo e a esta direita, pois só a eles interessa esta balbúrdia», disse à Lusa Pedro Coimbra, considerando que o anúncio do presidente da Câmara de Lisboa «só fragiliza o PS».

Para o presidente da Federação Distrital de Braga é «normal» que se «discuta» a liderança num partido democrático, mas questiona o «argumento político» apresentado por Costa de que o PS teve um mau resultado nas eleições europeias.

Uma luta interna «agora» no PS «pode fragilizar» o partido nas eleições legislativas de 2015. Moniz garantiu, por isso, «apoio total» ao atual líder socialista.

Para o presidente da Federação Distrital de Bragança do PS o pior que pode acontecer ao partido é discutir a liderança na praça pública.

Também a presidente da Federação Distrital do PS/Setúbal, Madalena Alves Pereira, afirmou-se «perplexa» com a anunciada disponibilidade e defendeu que os socialistas deveriam estar mais preocupados em reconquistar a confiança dos eleitores.